Ex-ministro

“PT apostou mais no consumo do que na ética”, diz Janine Ribeiro para o Globo

Ex-ministro da Educação ainda criticou a oposição: "mas quando alguém perceber que um impeachment, um golpe paraguaio vai ser um problema a mais, talvez fique mais fácil avançar"

SÃO PAULO – Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro fez críticas ao PT poucas horas depois da posse do novo ministro da Pasta, Aloizio Mercadante. 

Ao jornal, Janine disse que o partido chegou ao poder para combater a miséria e defender a ética, mas ficou restrito ao primeiro. “O PT deixou de ter o vigor que tinha contra a corrupção; com isso ficou um pouco refém da prosperidade econômica. Na hora que a prosperidade econômica fez água, você tem uma perda grande de solidariedade”, afirmou.

Janine fez um balanço positivo à frente do MEC. Ele disse que fez muito menos do que queria mas que a intenção era, “mesmo com pouco dinheiro, colocar algumas políticas na rua em breve, como a formação de diretores. Mas conseguimos lançar dois editais da Capes em biografia e conflitos, áreas pouco estudadas. Fizemos modificações importantes no Fies, aumentando a proporção de vagas em cursos com as melhores notas”.

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 O ex-ministro também teceu críticas à oposição. Segundo Janine, há uma oposição que, em 11 meses, não foi capaz de definir minimamente um projeto alternativo ao governo Dilma.

“Isso dá força ao governo Dilma. A fraqueza gigantesca das alternativas de oposição fortalece quem já está. Qual empresário vai querer um período de conturbação? Por outro lado, o governo também não conseguiu recuperar um pouco de popularidade. Então, estamos num impasse. Uma das saídas é as pessoas perceberem que o problema é tão grande que ninguém ganha acirrando os conflitos. Talvez o Aécio (Neves) ainda acredite que, acirrando os conflitos, chegue à Presidência ano que vem. Mas quando alguém perceber que não terá nada disso, que uma solução traumática, um impeachment, um golpe paraguaio vai ser um problema a mais, talvez fique mais fácil avançar”, afirmou.

 De acordo com ele, o PT cometeu erros políticos sérios, sendo que um deles foi o de “apostar mais no consumo do que na ética”. “O PT na oposição tinha duas bandeiras éticas muito fortes: contra a corrupção e a miséria. No governo, enfrentou a miséria de maneria admirável, mas retirou o caráter ético dessa ação, num certo sentido. Ao incluir dezenas de milhões de pessoas na economia de mercado, na dignidade, o PT fez esse trabalho, mas insistiu no consumo, numa gratidão pelo consumo. Por outro lado, tem a corrupção, que está longe de ser uma invenção do PT, mas o PT deixou de ter o vigor que tinha contra a corrupção”, afirmou.

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