Próximo Presidente deverá encontrar Congresso fragmentado

Independentemente de quem for eleito, novo Presidente encontrará dificuldades para aprovar medidas no Congresso

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SÃO PAULO – Ao mesmo tempo em que as pesquisas eleitorais mostram de perto a disputa pelo cargo de Presidente da República, atualmente liderada pelo candidato do PT, Luis Inácio da Silva, pouco se fala a respeito da composição do novo Congresso, após as eleições que renovarão totalmente a Câmara dos Deputados e 2/3 do Senado.
No entanto, a composição do novo Congresso será fundamental para determinar os rumos do próximo governo, dado que o Executivo pouco pode fazer no sentido de reformas profundas se não contar com o apoio do Legislativo.
PFL, PSBD e PMDB devem seguir com mais representantes

Segundo estudo publicado pelo Instituto de Estudos Socieconômicos (INESC), o crescimento dos candidatos de oposição nas pesquisas para a Presidência não deve ocorrer com a mesma intensidade nas eleições para o Legislativo.
Embora partidos como o PT e o PSB devam eleger mais representantes em 2002, principalmente às custas de partidos como PMDB e PSDB, o novo Congresso deve permanecer bastante fragmentado. Segundo as projeções, o PFL, que atualmente tem 97 deputados, deve eleger entre 92 e 98 representantes, novamente ficando com a maior bancada.
Já o PSDB, que conta no momento com 95 deputados, deve eleger entre 72 e 78 representantes, mostrando a insatisfação de parte do eleitorado com a situação econômica brasileira. O PMDB, por sua, vez, que tem 87 deputados, deve ficar com 76 a 84 representantes.
PT deve crescer, mas segue minoritário

Já o Partido dos Trabalhadores deve ver sua representatividade aumentar, elegendo entre 62 e 70 deputados, frente aos 58 atuais. Somado aos 8 a 14 deputados do PCdoB e aos 24 a 30 do PL, isto representaria cerca de 18,3% a 21,5% da nova Câmara dos Deputados, o que necessariamente levaria o partido a buscar novas alianças para tentar aprovar medidas de seu programa de governo.
Outros partidos de oposição também devem mostrar crescimento. O PSB, que tem Anthony Garotinho como candidato à Presidência, deve eleger entre 22 e 28 deputados, um forte crescimento frente aos 17 deputados atuais.
Já os partidos que compõem a Frente Trabalhista devem manter uma participação em linha com a atual. O PDT, que tem 17 deputados, deve eleger entre 12 e 18, enquanto o PTB deve ficar entre 25 a 32, frente aos 33 atuais. Por fim, o PPS deve contar com 8 a 14, frente aos 11 atuais.
No Senado, um quadro similar se repete. A maior participação deve ficar como o PMDB, seguido pelo PFL e pelo PSDB. O PT, por sua vez, deve crescer, mas seguir sendo a quarta força, contando com 8 a 11 representantes, ou cerca de 9,9% a 13,6% dos 81 senadores.

Novo presidente terá que buscar alianças

Caso estas projeções sejam confirmadas, o próximo presidente poderá enfrentar um problema ainda maior do que o do atual governo no Legislativo. Além da fragmentação do Congresso, o novo presidente terá também que conviver com a falta de fidelidade partidária, e, no caso de eleição dos candidatos do PT ou PSB, contar com uma forte oposição dos partidos chamados de centro, como o PFL, o PSDB e o PMDB.
Este quadro é ainda mais crítico considerando-se a necessidade de reformas profundas que tragam a tranqüilidade de volta, evitando uma deterioração ainda maior da crise de confiança que assola o país.
Desta forma, além da certeza de que muitas promessas não poderão ser cumpridas, simplesmente porque não são factíveis, o brasileiro terá também que conviver com a rejeição de muitas propostas pelo Congresso, diminuindo o grau de atuação do próximo presidente, independentemente de quem for eleito.

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