Prorrogação de subsídios ao etanol nos EUA prejudicaria posicionamento da Cosan

Segundo Ativa, notícia frustra a expectativa de alta do consumo de etanol nacional, mas não deve ter efeito no médio prazo

SÃO PAULO – A Ativa avalia como negativas as especulações de que o governo norte-americano prorrogará o subsídio ao etanol e a tarifa de importação do produto. Para a corretora, a notícia frustra a expectativa relacionada ao aumento do consumo externo do etanol brasileiro, além de prejudicar parcialmente o posicionamento da Cosan (CSAN3).

Foi divulgado na imprensa que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acabou cedendo às pressões internas do lobby dos produtores de milho, em um momento em que seu governo passa por uma situação política desconfortável.

O subsídio para a mistura de etanol, produzido a partir do milho, é atualmente de US$ 0,45 por galão, enquanto a tarifa de importação é de US$ 0,54 por galão. De acordo com as informações, os subsídios, que expirariam no final de dezembro, serão prorrogados por mais um ano, mas com um valor de US$ 0,36 por galão.

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Neste cenário, porém, a Ativa não acredita que uma alteração na expectativa de aumento no consumo de etanol terá um efeito prático nos resultado das empresas do setor no médio prazo. A justificativa é que o mercado ainda não precifica a formação de um consumo internacional consistente de etanol de cana.

Brasil
A proposta contendo tais alterações foi encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos e a perspectiva é de que será aprovada. Nesse cenário, caso a mudança ocorra, os produtores brasileiros prometem abrir um processo contra os EUA na OMC (Organização Mundial de Comércio).

“Agora é hora de o Brasil pôr toda a pressão possível para evitar que essa distorção continue. Temos uma chance, mas é necessário pressão de todos os lados”, afirmou Joel Velasco, representante da Única (União da Indústria Canavieira) em Washington. De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, os usineiros brasileiros organizaram um lobby profissional na capital americana para lutar pelo fim dos subsídios.