10 minutos de discórdia

“Propaganda-bomba” amplia racha no PSDB e faz Centrão elevar ainda mais o tom de ameaça sobre Temer

Propaganda de dez minutos levou a diversas críticas dentro do PSDB e as críticas de avolumaram contra o presidente interino Tasso Jereissati; Centrão ameaça deixar governo se tucanos seguirem nos ministérios

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SÃO PAULO – Se o PSDB já vive uma grave crise interna, o programa partidário veiculado na noite da última quinta-feira (17) ajudou a deflagrar de vez o racha na legenda – e também gerou efeitos sobre as outras siglas que fazem parte da base do governo Michel Temer.  Confira a propaganda no vídeo acima. 

A propaganda do PSDB faz críticas ao sistema atual, que chama de “presidencialismo de cooptação”, e traz imagens de um bonequinho vestido com a faixa presidencial entregando blocos a deputados, representados por figurinhas com cifrões no lugar dos olhos. 

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Assim, o teor bastante crítico ajudou a deflagrar a crise em toda a base aliada – com uma pressão especial para o presidente interino do partido, Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ministros e deputados tucanos fizeram uma série de críticas ao líder da sigla, responsável pela peça, destaca a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, havendo forte pressão para exigir sua deposição do posto. 

Na mesma linha, segundo a coluna de Vera Magalhães para o jornal O Estado de S. Paulo, a conflagração interna que vive o PSDB por conta da propaganda deve resultar na volta de Aécio Neves ao comando da sigla, apenas para designar outro dos vice-presidentes para ficar no lugar de Tasso até dezembro, quando acontece a convenção nacional do partido. Os tucanos esperam que, isolado, o próprio Tasso tome ainda nesta sexta-feira a iniciativa de deixar a presidência interina da legenda.

A propaganda foi decidida por Tasso e produzida por publicitários ligados ao senador sema  consulta às instâncias internas do partido e a seus vários caciques. Quando reassumiu o mandato no Senado, Aécio questionou Tasso sobre o programa, e ouviu em resposta que ele já estava finalizado.  

Entre os críticos da peça, está o chanceler Aloysio Nunes, que afirmou à Folha que o programa é uma “crítica vulgar” e que deve ter levado o PT às gargalhadas. O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE),  disse, em nota, que a publicidade é injusta com a “história do partido”, que teria optado por um caminho de “recuperação do país”. “O programa não me representa”, afirmou. O deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) ainda afirmou que Tasso “não une mais o partido”. 

A peça gerou um outro efeito, conforme informa a Folha: aumentou ainda mais a pressão do chamado “Centrão” sobre o governo Michel Temer.  Líderes do grupo dizem que o presidente está refém de um partido que tem quatro ministros e, ainda assim, vai à TV jogar pedra no governo e ameaçam largar Temer se os tucanos continuarem nos ministérios. Siglas como PRB, PP e PSD já enviaram seus recados ao Planalto e, em tom grave, dizem que o PSDB age de forma “cínica” e “hipócrita”.

Um outro efeito, informa o Estadão, é que a Câmara avalia processar Tasso pelo programa, segundo destaca a Coluna do Estadão.  O tucano será instado a nominar quem são os políticos que se venderam sob o risco de colocar toda a Casa em suspeição. Deputados do PSDB contrários ao teor do programa também comentaram num grupo de WhatsApp que estão dispostos a interpelar Tasso na Justiça. Contudo, apesar da controvérsia, Tasso recebeu o apoio de parte da bancada. “Todos os partidos deveriam dar esse chacoalhão. O PSDB é o único que está fazendo isso de fato”, diz o líder Ricardo Trípoli.