Ato político?

Prisão de Lula pode estar na origem de greve dos petroleiros

Conforme apurou o blog do jornalista Josias de Souza, o acervo de textos da FUP mostra que o planejamento da greve teve relação direta com as manifestações de grupos contrários à prisão do líder petista, ocorrida em 7 de abril

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SÃO PAULO – A greve dos petroleiros, iniciada na última quarta-feira à revelia de decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) que a considerou ilegal e fixou multa diária ao movimento, pode ter motivações políticas diretamente relacionadas à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme apurou o blog do jornalista Josias de Souza, o acervo de textos da FUP (Federação Única dos Petroleiros) mostra que o planejamento da greve teve relação direta com as manifestações de simpatizantes contrários à prisão do líder petista, ocorrida em 7 de abril.

De acordo com o jornalista, um documento de 14 de abril explica que foi acertado pelos sindicalistas, em passagem por Curitiba, a realização de assembleias para aprovar “a greve nacional contra as privatizações do Sistema Petrobras e a retirada de direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados, além da defesa da democracia e contra a prisão política de Lula”.

A paralisação de 72 horas ocorre como uma espécie de advertência para o atendimento das demandas dos petroleiros. Conta o jornalista, contudo, que, ao enumerar as razões da greve, em texto publicado na última sexta-feira, a FUP omitiu a pauta relacionada a Lula. Desta forma, o movimento poderia pegar carona com a greve dos caminhoneiros, que, de acordo com pesquisa Datafolha, conta com apoio de 87% dos brasileiros.

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Conforme pontua Josias, em outro texto de 15 de maio, a FUP foi mais explícita sobre a prisão do ex-presidente configurar um dos motivos para a paralisação. O documento informa que, nas mesmas assembleias em que aprovaram a greve nacional, os petroleiros endossaram “um manifesto público em defesa da soberania, pela democracia e contra a prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Provocado pela AGU (Advocacia Geral da União), a ministra Maria de Assis Calsing, do TST, concedeu liminar, na terça-feira, classificando como “aparentemente abusivo” o caráter da paralisação de 72 horas dos petroleiros e de “natureza política e ideológica”, e determinou pagamento de multa de R$ 500 mil por dia em caso de descumprimento. Ontem, a mesma magistrada decidiu aumentar o custo para R$ 2 milhões diários aos sindicatos da categoria que aderirem à greve.

Nesta quita-feira, a FUP orientou os sindicatos filiados a suspenderem a greve de 72 horas iniciada à zero hora de quarta-feira. Na nota, a entidade acusou o TST de “criminalizar” o movimento sindical, ao considerar a greve ilegal e determinar a aplicação de multa em caso de descumprimento.

Os sindicatos reunidos na FUP decidiram por fazer uma greve na semana anterior à da segunda-feira, dia 21, quando começaram os protestos de caminhoneiros País afora. Na decisão inicial, a entidade sindical não determinou uma data para o início da paralisação. Com o crescimento do movimento dos caminhoneiros nas estradas, a FUP se reuniu no sábado passado e decidiu convocar uma paralisação de advertência por 72 horas.

(com Agência Estado)