Expert XP 2018

Previdência x desemprego e câmbio flutuante x intervenção: os embates dos economistas dos presidenciáveis

Um dos grandes momentos de Expert XP 2018 foi o encontro de cinco economistas para debater as propostas dos candidatos à Presidência

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SÃO PAULO – Quem não foi na Expert XP 2018 perdeu. Perdeu não só o maior evento de investimentos do mundo, com vários dos principais nomes do mercado financeiro, mas também o grande debate entre os principais economistas por trás das campanhas dos candidatos à Presidência. Para quem pôde assistir, presenciou umas das melhores conversas sobre economia da atual eleição.

Mais que um simples debate, com perguntas e respostas rápidas, ou uma mesa redonda entre eles, o evento da Expert teve muita interação não só entre os participantes, mas também com a plateia, que algumas vezes parecia torcida de futebol, aplaudindo ou reclamando de algum comentário feito.

O debate ainda contou com momentos curiosos, como as vaias da plateia ao representante do PT, Guilherme Mello, quando ele lamentou o fato de Lula não poder ser candidato, ou então as “caras e bocas” que fez Persio Arida, economista de Geraldo Alckmin, enquanto Mello falava.

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Mas dois pontos chamaram mais atenção ao incluir todos os cinco economistas em torno de um debate de temas complexos, o primeiro envolvendo a melhor forma de resolver a questão fiscal e o segundo por conta da preocupação que algumas pessoas têm com a volatilidade do câmbio.

Estiveram presentes no encontro Guilherme Mello, da campanha de Fernando Haddad, Pérsio Arida (Geraldo Alckmin), José Márcio Camargo (Henrique Meirelles), Bazileu Margarido (Marina Silva) e Nelson Marconi (Ciro Gomes). Confira como foram os dois grandes embates do evento:

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Reforma da Previdência x redução do desemprego
As propostas sobre como tirar o país da crise fiscal surgiram antes mesmo de qualquer pergunta. O tema foi foco das considerações inicias de todos os economistas, onde ficou clara as diferenças de pensamento entre cada um, ficando claro que Mello, do PT, tem a visão mais diferente do grupo, defendendo muito a redução do desemprego para combater a crise, enquanto os outros falaram muito sobre a reforma da Previdência.

E ele foi exatamente quem abriu o debate, dizendo que acredita “piamente” que o problema fiscal não é algo isolado. “A lógica não é se resolve o problema fiscal que se resolvem todos os outros problemas”, afirmou. “É a retomada do crescimento de emprego que vai nos ajudar a resolver o problema fiscal. Não vamos nos iludir aqui, não há consolidação fiscal possível com um país estagnado, em lugar nenhum do mundo isso acontece, certo? É a retomada do crescimento que ajuda a solução do problema fiscal”, avaliou o representante do PT.

O economista afirmou que é preciso estimular o consumo – algo que a campanha de Haddad tem usado muito na TV e no rádio -, apostando “no potencial enorme que a economia tem no seu mercado interno e da criação de emprego, crédito e renda”. Mello disse ainda que é necessária uma reforma tributária – algo que praticamente todos os candidatos desta eleição defendem – e uma mudança no sistema bancário, que segundo ele “atuar cada vez mais ajudando o desenvolvimento nacional”.

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Persio Arida foi o segundo a falar e já iniciou dizendo que discordava de Mello. Para ele, o foco principal está em zerar o déficit: “não podemos correr o risco de repetir no Brasil o que aconteceu na Argentina, que foi priorizar reformas modernizantes em detrimento das reformas fiscais”. E de olho em cortar o gasto público, ele disse que a Previdência tem um papel crítico.

“Tem que impor idade mínima, assegurar uma transição pra idade mínima e ter um equilíbrio entre os dois sistemas da Previdência, no regime próprio e no regime real”, defendeu ele, que ainda falou sobre acabar com o sistema burocrático brasileiro e realizar outras “reformas modernizantes”.

José Márcio Camargo, reforçou o coro sobre a Previdência, dizendo que esta é a prioridade “1, 2, 3, 4 e 5”. “Se não resolvermos esse problema, em 20 anos, 100% do orçamento público vai ser gasto com previdência, e não vai sobrar nada para saúde, educação e nada do tipo”, explicou o economista da campanha de Meirelles.

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Segundo ele, o Brasil gasta 13% do PIB (Produto Interno Bruto) com Previdência e assistência social, sendo que 9% de nossa população tem 65 anos ou mais. “Países que têm essa porcentagem da população com essa idade gastam em média 4,5% do PIB com Previdência e assistência social. Os países que gastam 13%, tem em média 20% da população nessa faixa etária”, disse.

Bazileu, apesar de não falar muito a palavra Previdência em seu discurso inicial, destacou que esta reforma, junto com a tributária, é essencial para resolver o déficit fiscal. Por outro lado, o economista de Marina já segue uma linha um pouco diferente, dizendo que não havia justiça no projeto apresentado no Congresso este ano, defendendo mudanças sobre as propostas.

“O problema é que você não resolve a questão da previdência se não atacar os privilégios […] Retomada de investimento não resolve o déficit da previdência com 14 milhões desempregados, não tem solução, ele passa necessariamente pela retomada de investimento e capitalização da massa de trabalhadores no mercado informal”, avaliou.

Já Nelson Marconi disse que a proposta de Ciro Gomes é zerar o déficit em dois anos com uma combinação de reforma da Previdência e redução de despesas e subsídios. Para ele, a reforma precisa ser baseada em pilares, que são focados em renda mínima, repartição e contabilização, de olho em criar uma estrutura previdenciária que possa ser sustentada no futuro.

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A diferença dos discursos foi tão clara que Mello foi questionado sobre suas propostas e sobre o fato de não priorizar a reforma da Previdência. Ele respondeu que o que ele chama de reforma do estado tem relação com privilégios previdenciários, mas seguiu sem falar o termo “reforma da Previdência”. “O que a gente não pode focar é a lógica do cortar gasto em saúde, cortar gasto em educação, cortar direito trabalhista, cortar gasto em previdência e achar que isso vai resolver o problema do Brasil”, completou dizendo que “não tem tabu” sobre o assunto.

Intervenção no câmbio?
Em outro grande momento do debate, os economistas começaram a falar sobre o controle da taxa de juros e levantaram a questão sobre o câmbio flutuante, que foi adotado no Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Para Persio, não existe outro sistema para o dólar: “câmbio é câmbio de mercado, não tem outro”. Segundo ele, é preciso manter o tripé macroeconômico, com a fixação dos juros para controle de inflação.

Mais uma vez, a maior diferença de discurso foi com Guilherme Mello, que afirmou existir “diversas anomalias na taxa de câmbio brasileira”. “O mercado de derivativos de câmbio brasileiro é o segundo maior do mundo, e ao que me conste o real não é a segunda maior moeda do mundo. Por que será? Não será por causa da institucionalidade, do diferencial de taxa de juros, da volatilidade absurda? A gente tá assim desde 2006, obviamente tem problema aí, tem alguma coisa diferente”, avaliou.

Para o economista do PT, um dos grandes problemas do câmbio é o diferencial de taxa de juros, que segundo ele mesmo nos momentos em que estávamos com um diferencial muito bom, a taxa continuou elevada. “Não quero reduzir a taxa de juros de forma artificial. O que eu estou falando é que quando a gente olha a relação entre o fiscal e o monetário, e falamos que é só arrumar o fiscal que o monetário se resolve sozinho, não é tão automático quanto parece”, afirmou.

Marconi, por sua vez, afirmou que Ciro, se eleito, manterá o tripé macroeconômico, mas ressaltou que o Banco Central “errou a mão” no passado, reclamando que a volatilidade do câmbio é “uma coisa absurda”. Por outro lado, Persio disse não entender a preocupação com esta volatilidade, que para ele é uma coisa boa. “A volatilidade impede o risco excessivo. Pra mim, volatilidade do câmbio não tem problema nenhum”., concluiu.

Para quem acompanhou o debate, foi possível não só conhecer as propostas de cada um, mas ver que existem pontos que são consenso entre praticamente todos eles. Os diagnósticos passam pelos mesmos problemas, mas as soluções conseguem ser muito diferentes e este deveria ser um ponto importante para o eleitor ficar de olho.

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