Pressão de Treasuries deixa economistas atentos a possível alta no juro dos EUA

Disparada nos rendimentos pode ser indício de aperto monetário, observa Clearbrook; Pimco rebate com sinais de fragilidade

SÃO PAULO – “O recente aumento nas taxas dos Treasuries serve para lembrar que juros muito baixos são simplesmente insustentáveis”. A frase, retirada do relatório da Clearbrook na última segunda-feira (8), foi escrita diante dos temores sobre uma possível mudança na política monetária do Fed.

O CFO (Chief Executive Officer) da agência de investimentos, autor da frase, completou observando que a maioria das taxas de curto prazo subiu mundialmente, seguindo a direção observada nos EUA. “À exceção dos papéis da América Latina, Índia, Taiwan e Indonésia, os rendimentos subiram de forma bastante rápida nas últimas semanas, e isso poderá ter alguns efeitos consideráveis”, alertou Tom Sowanick.

Segundo o especialista econômico, as taxas de juro que são negociadas no mercado tendem a antecipar a ação que os Bancos Centrais irão imprimir na política monetária nos próximos meses. A semelhança na trajetória já foi vista em outros momentos, a exemplo do salto de 1,46% para 2,93% visto no rendimento anual dos títulos norte-americanos de dois anos entre março e junho de 2004. “Pouco tempo depois, o Fed subiu o juro básico”.

Faz sentido?

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As evidências de que pode haver espaço para um aperto na política monetária também são fundamentadas nos sinais de que a economia está melhorando mundialmente e nas expectativas futuras de inflação, levantando a possibilidade das taxas de juro subirem até perto dos patamares anteriores.

“Os números sobre o setor de manufatura, por exemplo, já indicam que a atividade começa a se estabilizar nos EUA, assim como alguns indicadores sobre o mercado imobiliário e sobre a confiança do consumidor”, observou o CFO da Clearbrook. “Todos esses dados estão pesando na cabeça do investidor, como se o Fed estivesse prestes subir o juro”.

Economistas sem consenso

A posição de Tom Sowanick também é motivo de atenção entre outros analistas econômicos, que não chegam a um consenso sobre o que irá acontecer nos próximos meses. Andrew Balls, que dirige o escritório da Pimco (Pacific Investment Management Co) em Londres, chamou atenção para o quadro de fragilidade que ainda caracteriza as principais economias do globo.

“A melhora no ânimo dos mercados e em alguns indicadores macroeconômicos não é uma surpresa, devido à queda bastante acentuada vista anteriormente”, levantou o economista. “Os números caíram muito rapidamente nos últimos meses; não é estranho eles começarem a subir. Mas isso não parece uma tendência, os pontos indicam mais estabilidade do que recuperação”.

Quem espera que tudo volte a ser como antes também pode estar enganado, na opinião de Andrew Balls, pelo impacto que as intervenções dos Bancos Centrais tiveram na economia mundial. “Os efeitos dessas ações emergenciais serão sentidos por muito tempo e podem levar a mudanças permanentes. O sistema global está mudando e nós não devemos voltar ao ‘velho normal'”, concluiu.