Presidente do Fed de Chicago defende política monetária mais agressiva

"Para reduzir desemprego, Fed deveria ser mais flexível no controle da inflação", afirmou Charles Evans

SÃO PAULO – O presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, afirmou em Londres nesta quarta-feira (7) que o Federal Reserve deve agir agressivamente para reduzir o desemprego nos Estados Unidos mesmo que a inflação seja pressionada temporariamente.

Para ele, a manutenção da taxa básica de juros no patamar mínino histórico deve estar subordinada a empurrar a taxa de desemprego para 7% ou 7,5%, frente os 9,1% atuais, desde que a inflação permaneça abaixo dos 3% ao ano.

Controle da inflação? Só depois!
“Dado o péssimo serviço que estamos fazendo no tocante ao mercado de trabalho, eu defendo que o Fed deveria considerar a possibilidade de ações que trariam doses significativas ajustes na política monetária”, afirmou Evans, “e tal ajuste aumenta o risco de que a inflação fique temporariamente acima dos 2% a.a. estabelecidos como meta de longo prazo”, completou.

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Evans lembra que 2% não é o teto da inflação e sim uma média pretendida no longo prazo, ou seja, uma ligeira alta da inflação agora em nome do crescimento econômico seria diluída pela reestabilização dos preços no futuro.

Inércia
Para ele, poucas medidas de maior impacto foram tomadas até o momento enquanto há uma perspectiva clara de deterioração da economia norte-americana. “Eu tenho certeza que nós realmente não queremos estar na mesma situação daqui um ano”, disse. 

“Consumidores e pequenos comerciantes estão lutando para conseguir crédito e a recuperação do mercado imobiliário está sendo meticulosamente lenta”, lembrou o Evans, clamando por o que ele chama de “uma política monetária mais agressiva para impulsionar a demanda agregada”.

Mais sinais do QE3
Com isso, Evans se posiciona claramente como um dos membros do Fomc (Federal Open Market Committee) que defendem medidas mais substanciais de estímulo à economia além da manutenção da taxa de juros no patamar mínimo, o que pode resultar em um eventual QE3 (Quantitative Easing 3) já na próxima reunião do comitê nos dias 20 e 21 deste mês, conforme já se especula no mercado.