Presidente de escola que homenageará Lula na Sapucaí é demitido da Alerj

Estreante no Grupo Especial, a agremiação desfila com o enredo 'Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil'

Agência O Globo

Lula recebeu em Brasília a diretoria da Niterói  - Ricardo Stuckert/PR
Lula recebeu em Brasília a diretoria da Niterói - Ricardo Stuckert/PR

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O presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi exonerado do cargo de assistente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na quarta-feira. Estreante no Grupo Especial, a agremiação desfila com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

A demissão foi assinada pelo deputado bolsonarista Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Casa, e publicada no Diário Oficial Legislativo do dia seguinte.

O desfile percorre a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde a infância em Garanhuns (PE), passando pela migração para São Paulo, a atuação como metalúrgico e líder sindical, até os mandatos como presidente da República.

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Palhares ingressou na Alerj no ano passado, estando lotado na Comissão de Transportes, que é associada ao gabinete de Dionísio Lins (PP), segundo apurou o Poder360. O parlamentar é vice-líder do governo de Cláudio Castro na Casa Legislativa.

Dados disponibilizados pela Alerj mostram que o presidente da agremiação recebeu R$ 7.961,34 pelo trabalho na assembleia em janeiro — valor que inclui a soma do rendimento líquido de R$ 2.353,21 com benefícios. O total é quase três vezes maior do que o salário de abril de 2025, quando Palhares recebeu R$ 2.782,56.

O deputado Dionísio Lins também tem envolvimento com Carnaval. No ano passado, entrou em colisão com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) ao defender que o Grupo Especial passe de 12 para 15 escolas de samba.

A Acadêmicos de Niterói será a primeira a entrar na Avenida no domingo de carnaval, seguida por Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira. Entre os nomes já confirmados no desfile estão a atriz Juliana Baroni, que representará a ex-primeira-dama Marisa Letícia, e a atual primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, que desfilará pela agremiação. Ainda não se sabe se Lula irá desfilar.

Procurada pela reportagem, a escola de samba não se manifestou sobre a demissão.

Ações judiciais

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) uma denúncia contra a Acadêmicos de Niterói por propaganda eleitoral antecipada. No documento protocolado na segunda-feira, a parlamentar criticou a verba pública recebida pela escola de samba.

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Trata-se de um valor relativo a um termo de cooperação técnica firmado entre Embratur e a Liesa para destinar R$ 12 milhões às doze agremiações do grupo especial do Carnaval fluminense.

A Liesa disse, em nota, que no mérito do Termo de Cooperação Técnica com a Embratur e a interveniência do Ministério da Cultura, o instrumento prevê a destinação igualitária de R$ 1 milhão para cada uma das 12 agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

A liga também informou que, em 2025, o apoio do governo federal à realização do Desfile das Escolas de Samba foi realizado via Ministério do Turismo (MTur) no mesmo valor de R$12 milhões, e também foi distribuído pela Liesa de forma equânime a todas as escolas de samba do Grupo Especial.

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Como mostrou a coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, o valor repassado à escola já foi alvo de outro parlamentar, o deputado federal Kim Kataguiri (MBL-SP). Na sexta-feira, o parlamentar ajuizou uma ação popular contra o repasse de R$ 1 milhão para escola niteroiense, alegando que o recurso pode ser usado para enaltecer Lula e projetar uma imagem positiva do petista, pré-candidato à reeleição. O deputado pediu a suspensão imediata do termo de cooperação com a escola, além do bloqueio de novos repasses e a devolução dos valores já transferidos.

Alvo da direita

Parlamentares da direita reagiram ao ensaio técnico da escola de samba, realizado na sexta-feira passada. A motivação para as críticas partiu de imagens com referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em tom irônico, exibidas em telões utilizados pela agremiação na Marquês de Sapucaí. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) foi um dos que rebateram as críticas direcionadas ao pai, enquanto o deputado estadual por São Paulo, Gil Diniz (PL), disse que protocolou no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) uma denúncia contra a agremiação.

Conforme mostrou o GLOBO, as projeções mesclavam memes, frases e montagens com a imagem de Bolsonaro, em diálogo com o samba-enredo da agremiação. Na canção, há um trecho que diz “sem mitos falsos, sem anistia”, em referência ao pleito de bolsonaristas para anistiar Bolsonaro — preso por tentativa de golpe de Estado — e os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

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