Presidente da União Europeia elogia Brasil, de olho em ajuda já prometida por Dilma

Líderes se reuniram na Bélgica para discutir medidas e possível coordenação política entre os países para combater a crise

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SÃO PAULO – O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, disse nesta terça-feira (4) que o Brasil é considerado uma potência pelos europeus, além de afirmar que é fundamental a cooperação do país no combate aos impactos da crise econômica internacional. Para Durão Barroso, apenas um “esforço conjunto” será capaz de impedir o agravamento da crise que ele chamou de “global”, segundo publicou a Agência Brasil.

Durante a 5ª Cúpula Brasil-União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, nas presenças da presidenta Dilma Rousseff e de vários ministros brasileiros, Durão afirmou que na Europa, o Brasil é visto como potência. “Nós vimos o Brasil atuante como algo que pode reforçar, que pode ajudar no esforço global desses problemas causados pela crise econômica internacional”.

O presidente da Comissão Europeia disse acreditar “em um plano de esforço conjunto”. De acordo com ele, será intensificado o “diálogo político” com o Brasil. E que há intenção de ampliar as parcerias entre europeus e o Mercosul (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina), que seria, na opinião do português, um “ganho para ambas as regiões”.

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Segundo ele, o Mercosul investe mais nos 27 países da União Europeia do que a Rússia, China e Índia juntos. De forma semelhante, reagiu o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que destacou o papel desenvolvido pelo Brasil no cenário político e econômico internacional.

“Há planos ambiciosos. Minha expectativa é complementar as relações econômicas e comerciais”, disse Rompuya. “O Brasil é um importante, valioso e estratégico parceiro”, acrescentou ele, lembrando que as políticas adotadas no Brasil são “expressivas”.

Dilma vai ajudar, mas ainda não disse como
Por sua vez, a presidente Dilma Rousseff disse ainda que o Brasil está à disposição dos europeus para colaborar nas medidas que forem necessárias a fim de impedir uma piora na situação, mas não mencionou valores nem a possibilidade de repasses financeiros.

A presidente brasileira defendeu a união da comunidade internacional no combate aos impactos gerados pela crise econômica internacional. Segundo ela, a “associação é mais urgente” entre os países neste momento em que a situação se agrava.

“Estamos agora diante do aumento do risco soberano. Acredito que é fundamental a coordenação política entre os países para fazer face ao agravamento da crise”, acrescentou ela.

Dilma se reuniu por cerca de duas horas, durante a cúpula, com Herman Van Rompuy e José Manuel Durão Barroso, além de ministros brasileiros. “É necessário que se busque o combate ao desemprego para que as populações não percam a esperança no futuro. A recessão traz o aumento das desigualdades sociais”, disse a presidente.

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Segundo ela, é possível conciliar o estímulo à geração de emprego com a responsabilidade fiscal. Dilma lembrou que há 20 dias a América Latina era “sinônimo de crise” e agora mostra que é capaz de superação.

Dilma acrescentou ainda que é preciso “evitar sombrios desdobramentos políticos” e que “o Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades”. “Somos parceiros da União Europeia e os europeus podem contar com o Brasil”, destacou.

Para a presidente, a solução para a crise econômica internacional passa por uma reavaliação do sistema financeiro mundial. Segundo ela, classificado como um “sistema ineficaz”, que se comprovou com o fato de a crise ter se acentuado. Dilma disse também que é fundamental aliar políticas macroeconômicas com a geração de emprego e renda.