De olho em 2018

Preocupados, empresários “saem da moita” e procuram presidente para o Brasil – e já têm candidatos

Diversos nomes estão no radar, desde políticos já estabelecidos como Alckmin, o prefeito João Doria, até outros nomes como João Amôedo, do Novo

SÃO PAULO – Com os líderes das últimas pesquisas eleitorais – como Lula e Jair Bolsonaro –  trazendo muitas dúvidas sobre os prosseguimentos das reformas econômicas, lideranças empresariais estão em articulações para influenciar o pleito de 2018, conforme destacou o jornal O Estado de S. Paulo em matéria do último fim de semana.

Segundo aponta a publicação, a articulação do setor produtivo começa a ser desenhada em reuniões de pequeno porte, realizadas fora de instituições tradicionais de representação de categorias, como a Fies (Federação das Indústrias de São Paulo). O movimento “mais oficial” é o Renova Brasil, dirigido por Eduardo Mufarej, do fundo Tarpon, sócio de negócios como BRF e Somos Educação. O grupo tem pedido apoio financeiro a nomes do porte de Jorge Paulo Lemann (do fundo 3G), Abilio Diniz (ex-Pão de Açúcar, hoje sócio da BRF e do Carrefour), Armínio Fraga (ex-presidente do BC e sócio da Gávea Investimentos) e o publicitário Nizan Guanaes. 

Mas há uma lista ainda maior de empresários se movimentando para 2018. José Galló, presidente da Lojas Renner há mais de 20 anos, fez uma mea culpa sobre a atuação do empresariado na política nos últimos anos. De acordo com ele,  a situação da economia piorou porque boa parte dos líderes do setor produtivo se absteve de tentar influenciar o que ocorre em Brasília. “O fato é o seguinte: todos permitimos que isso (a crise) acontecesse”, afirma Galló. “Então hoje há grupos que estão preocupados com a gestão do País, independentemente de partidos. Os grupos estão se formando, e isso é muito bom.” 

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Um dos principais rostos do empresariado em busca de renovação é Flávio Rocha, presidente da Riachuelo. Ao jornal, ele afirmou que o tempo do “empresário moita” ficou para trás. Segundo ele, é preciso que o setor produtivo se posicione e mude de postura, abandonando o estilo “pidão”. Rocha  defende abertamente o tucano João Doria para a Presidência. Ao ser questionado se apoiaria Doria fora do PSDB, ele diz que “principalmente” neste cenário. “PSDB e PT são muito parecidos. São os mencheviques e os bolcheviques. Divergem no método, mas o ponto de chegada é muito próximo”. De acordo com o jornal, Rocha faz parte de um grupo de WhatsApp chamado “João Doria Acelera”, que reúne 140 pessoas e também inclui Artur Grynbaum, do Grupo Boticário.

Outros nomes que vêm se articulando para debater 2018, segundo o jornal, são Jayme Garfinkel (Porto Seguro), Carlos Jereissati Filho (Iguatemi), Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau), Walter Schalka (Suzano), Rubens Ometto (Cosan) e Pedro Passos (Natura). Procurados pelo jornal, eles não comentaram ou não responderam os contatos.

Os candidatos

Além do nome de Doria, defendido por Rocha, há outros no radar. O outro bastante cotado é de Geraldo Alckmin, defendido por Ometto, segundo fontes ouvidas pelo jornal. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também corre por fora – mas a avaliação é de que, por ora, a visão é de que a sua contribuição na equipe econômica é mais valiosa. Já Marina Silva, que nas eleições de 2014 recebeu apoio explícito de Neca Setubal, da família proprietária do Itaú, e já teve em 2010 como vice Guilherme Leal, da Natura, não foi mencionada pelos empresários ouvidos pelo jornal. 

Também há quem defenda que o candidato deva ser criado “dentro de casa”. O Partido Novo, de agenda liberal, vem atraindo nomes para seus quadros, como o economista Gustavo Franco, que deve coordenar o programa do Novo à presidência, segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. O Novo deve lançar o ex-banqueiro João Amoêdo à Presidência. 

Dentro do meio empresarial, há esperança de que nomes mais conhecidos se interessem pelas eleições. Entre os nomes ventilados estão o de Rocha, da Riachuelo, que nega a intenção de se candidatar. Enquanto isso, Salim Mattar, da Localiza, não esconde suas pretensões políticas. Contudo, ao ser questionado se será candidato ao governo de Minas Gerais, afirmou: “não me preparei para deixar meus negócios, talvez na próxima. Estou há 31 anos apoiando institutos liberais. Atuação pública eu já tenho. Estou me preparando para, na hora oportuna, fazer minha doação indo para o governo”, afirmou. Outro nome citado é o de Fabio Barbosa, ex-presidente do Real e do Santander, que sempre negou a intenção de concorrer e, procurado pelo jornal, não quis dar entrevista.

 (Com Agência Estado)