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Preocupado com a eleição? Exterior pode dar 4 bons motivos para alívio, diz economista

Vale tomar lado a lado o exterior e as eleições por aqui: conforme conclui Gustavo Cruz, um presidente comprometido com reformas pode ser importante para aproveitar o momento e garantir um bom ano ao mercado

SÃO PAULO – A pouco mais de dois meses das eleições presidenciais de outubro, o assunto já tomou posição central na maioria das análises para os próximos passos do mercado financeiro no Brasil. A incerteza ainda é grande e a conversa rende em torno de especulações sobre o cenário de vitória de cada um dos principais candidatos. No entanto, como lembrou o economista da XP Investimentos, Gustavo Cruz, no programa “XP Connection” desta quarta-feira (19), a situação do exterior também merece atenção ao se fazer projeções para o ano que vem, e pode até trazer um pouco de alívio.

Segundo Gustavo, são quatro pontos que se destacam agora como importantes para acompanhar de perto. O principal, em sua visão, é a posição dos dirigentes do Fed (Federal Reserve) sobre a política monetária dos EUA. Apesar do temor por aqui com o aumento nos juros de lá, que tem sido indicado para as próximas revisões, a leitura do economista é de que este ciclo já está acabando.

O motivo dessa impressão vem, primeiro, dos pronunciamentos do próprio Fed e de seu presidente, Jerome Powell. Os dirigentes da autoridade monetária têm apontado que os juros não devem subir mais na esteira da inflação, sinalizando, pelo contrário, que até aceitariam uma inflação um pouco acima da meta. Já pelo lado de um aumento de olho no crescimento econômico estadunidense, a expectativa é de que esse movimento se desacelere no próximo ano, uma vez que o bom desempenho em 2017 vem muito relacionado com os estímulos fiscais implementados pelo presidente Donald Trump, que não se sustentam para sempre.

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A influência de Trump pode, inclusive, sofrer um baque, devido ao segundo ponto levantado por Gustavo: as eleições ao legislativo americano. Diferentemente de como funciona aqui, as eleições ao Congresso nos EUA não têm data fixa e já estão se desenrolando em votações regionais, com muitos republicanos perdendo assentos aos democratas, e a expectativa de que estes tomem maioria no parlamento, minando o apoio ao presidente.

Além disso, mesmo os republicanos podem ficar mais cautelosos em endossar medidas de Trump ao se aproximarem das eleições. “Para a gente traduzir isso para juros, inflação, é menos espaço para fazer estímulos fiscais, portanto uma perspectiva de menor crescimento no médio e longo prazo, e menor necessidade de um juros também mais alto”, argumenta o economista.

Também já “calejados”, os BCs de todo o mundo podem estar mais permissivos com uma inflação alta e receosos com aumentos de juros, que pesariam sobre o crescimento econômico. É o caso da Europa, terceiro ponto da análise de Gustavo, que também tem fresca a memória de uma inflação baixa demais, recuperada gradualmente com programas de compra de ativos. Agora, com os preços se normalizando, os bancos europeus devem ter cautela e remover os estímulos à economia gradativamente, com estes provavelmente se esticando ainda pelo segundo semestre do ano. 

Por fim, merece alguma preocupação o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), cujas negociações estão para se encerrar ao fim de setembro. De acordo com o economista, o exemplo do Reino Unido deve servir de inspiração para outras nações – como a Itália e certos países do Leste Europeu -, que se veem insatisfeitas com o bloco.

Caso o Reino Unido saia beneficiado pelo acordo, é possível que sirva de inspiração para que a região seja fragmentada. Caso contrário – no momento, o mais provável, dada a postura intransigente da União Europeia nas negociações -, os ânimos podem se acalmar.

No geral, caso siga o caminho que tem se desenhado, a conjuntura lá fora pode se demonstrar favorável a um crescimento brasileiro em 2019. Mas, de qualquer forma, vale acompanhar conjuntamente tanto os acontecimentos no exterior quanto a discussão sobre as eleições por aqui. Isso porque um presidente comprometido com reformas fiscais e econômicas pode ser importante para aproveitar o momento positivo e garantir um bom ano ao mercado, conclui Gustavo Cruz. 

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