Portugal às vésperas de resgate, com temor sobre votação de pacote fiscal

Risco do parlamento português rejeitar projeto de ajuste fiscal poderá ser seguido de anúncio de resgate na sexta-feira

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SÃO PAULO – A pauta legislativa desta quarta-feira (23) promete ser decisiva para o futuro econômico de Portugal, com grande apreensão acerca da votação do plano de ajuste fiscal pelo parlamento do país, tomado por grave crise política.

A possibilidade de rejeição ganhou força após a oposição sinalizar que irá votar contra o projeto liderado pelo governo do primeiro ministro José Sócrates, que por sua vez reconhece como remota a chance de permanência no poder caso o plano não seja aprovado.

Com isso, é crescente o sentimento do mercado de que Portugal caminha para um resgate financeiro, a exemplo do que ocorrera com Grécia e Irlânda.

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Especula-se que a data para o resgate poderá ser a próxima sexta-feira, quando líderes da Zona do Euro estarão reunidos em Bruxelas para definir a reforma no fundo de auxílio de € 250 bilhões para € 440 bilhões.

Sinais de desconfiança com a economia portuguesa já são dados há meses, o que pode ser observado pela escalada do juro cobrado pelo mercado com a emissão de títulos da dívida do país. No mesmo sentido, a agência Moody’s cortou recentemente em dois níveis o rating da dívida soberana de Portugal, mantendo também a perspectiva negativa. 

“Portugal possui uma combinação de dívida e déficit que é insustentável nas taxas de juros do mercado”, afirma Paul Donovan, economista do UBS.

E a aplicabilidade?
Por mais que o plano fiscal seja aprovado, há questionamentos ainda acerca da capacidade do governo atual de implantar as mudanças, frente ao conturbado cenário político português, na medida em que o gabinete conduzido por Sócrates, do Partido Socialista, não goza mais de maioria no parlamento.

Apesar dos esforços, a perspectiva do mercado é que os problemas fiscais crônicos dos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) ainda permanecerão na pauta por um longo período, em razão da profundidade e complexidade das medidas necessárias.