Sem plano B

Por que o PT ainda apostará em Lula como candidato mesmo se ele for enquadrado na Lei da Ficha Limpa?

Principais alternativas do partido para as eleições, Fernando Haddad e Jaques Wagner já fazem movimentações para se candidatarem a outros cargos nas próximas eleições

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SÃO PAULO – Mesmo se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for condenado em segunda instância pelo crime de corrupção passiva e enquadrado na Lei da Ficha Limpa, o PT tem intensificado suas estratégias para manter sua possível candidatura às eleições de 2018. Conforme noticia o jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta-feira, ganha força no partido o entendimento que decisões anteriores de tribunais superiores podem amparar o líder petista.

A ideia seria conseguir aval do STJ, STF ou do próprio TSE. Contudo, tal estratégia pode não ser muito simples. Sobretudo quando se leva em consideração o recente posicionamento da maioria dos ministros do Supremo sobre a retroatividade da Lei da Ficha Limpa — o que gera questionamentos até mesmo sobre uma possível violação de determinação constitucional.

Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz federal Sergio Moro, no âmbito da operação Lava Jato. O ex-presidente recorre da decisão no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que pode confirmar ou reformar a decisão. Apesar de ser alvo de um constante noticiário negativo, o petista segue crescendo nas pesquisas eleitorais e ampliando distância em relação aos principais adversários. O índice de rejeição ainda é elevado, mas também apresenta quedas significativas.

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Um dos casos usado de exemplo para o petista é do deputado Paulo Maluf (PP-SP), que conseguiu recurso no Tribunal Superior Eleitoral e disputou no último pleito, sendo o oitavo candidato mais votado no estado à época. Também podem favorecer Lula mobilizações de rua e campanhas em defesa de sua candidatura.

Segundo o jornal, a cristalização da tese de que “não há plano B” à candidatura de Lula no PT tem feito com que os dois principais nomes citados como possíveis substitutos — o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner — passem a investir em outros projetos eleitorais. A ideia dos ministros da gestão de Lula seria a candidatura a um assento à bancada do partido no Senado Federal.