Azeitando a máquina

Por que o mercado comemora a escolha de Carlos Marun para a articulação política de Temer?

A saída de Imbassahy era demandada há meses por membros do "centrão" e se intensificou após a votação das duas denúncias contra o presidente

SÃO PAULO – Em meio às pressões dentro da base aliada e os esforços para fazer avançar a reforma previdenciária no apagar das luzes do ano legislativo, o presidente Michel Temer decidiu nomear o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) para o comando da Secretaria de Governo, pasta responsável pela articulação política, no lugar do tucano Antonio Imbassahy (BA). Com a notícia, o Ibovespa intensificou ganhos e o dólar ampliou queda em relação ao real, em uma sinalização de maior apetite a riscos por parte do mercado.

A medida é tida no meio político como indispensável para o governo conquistar o apoio necessário para aprovar as mudanças nas regras para a aposentadoria. A ideia seria votar em dois turnos a PEC ainda em 2017 na Câmara, e, no ano seguinte, concluir a tramitação da proposta no Senado o mais cedo possível, evitando a crescente contaminação do debate pela clima eleitoral.

Deputado federal de primeira viagem, Marun é conhecido por ser um dos nomes mais ferrenhos da “tropa de choque” de Temer. Antes, o parlamentar comandou a frente de batalha em defesa do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em seus piores momentos.

PUBLICIDADE

Não que o deputado peemedebista seja reconhecido por uma habilidade de articulação política fora dos padrões, mas a movimentação do governo é vista como mais um sinal da disposição de Michel Temer em mover as peças corretas no tabuleiro para desobstruir o caminho para a reforma previdenciária.

A saída de Imbassahy era demandada há meses por membros do “centrão” e se intensificou após a votação das duas denúncias contra o presidente, quando o PSDB se dividiu entre votar em defesa do peemedebista e dar andamento ao processo.