Copa das Copas

Por que o Brasil já ganhou a Copa do Mundo, segundo o Financial Times

Co-autor do do livro Soccereconomics, Simon Kuper ressalta o bom ambiente brasileiro e diz que deveria ser obrigatório ter praias de primeira linha nas próximas Copas

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SÃO PAULO – Enquanto uma parte dos jornalistas do Financial Times destaca que ainda é cedo para o governo comemorar o sucesso da Copa do Mundo, para o colunista do jornal britânico Simon Kuper, o Brasil já ganhou.

O co-autor do livro Soccereconomics, Kuper ressalta o bom ambiente brasileiro, destacando que quando a sua equipe, a Holanda, tinha acabado de obter uma vitória improvável, teve um “momento eureka”: dentre todas as Copas em que ele esteve presente (desde 1990), a do Brasil é a melhor. 

E ele não está sozinho, destaca: o treinador da Nigéria, Stephen Keshi, disse logo após ser eliminado do torneio, que o “evento tem sido maravilhoso até agora”. E a missão agora é que se “engarrafe” o sentimento brasileiro, para que ele possa ser reutilizado nas próximas Copas: de 2018, na Rússia e de 2022, no Catar.

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“A Copa das Copas”
E Kuper aponta para alguns elementos para o fato de esta estar sendo a “Copa das Copas”: o primeiro elemento é o futebol ofensivo. A maioria dos jogos das Copas costumam ser chatos, afirma o colunists, muitas vezes com dérbis entre seleções de pouca tradição. Mas, no Brasil, os jogos foram cheios de gols. “A minha teoria é que, desde o início de 1990, a transmissão televisiva ao vivo dos jogos de futebol tem levado à criação de um conteúdo mais divertido. E, aos poucos, o jogo tornou-se mais ofensivo”, afirma.

A segunda razão apontada pelo colunista é que o evento acontece no Brasil. “Em parte devido ao sol quente, em parte devido às praias. “Quando você passa a sua primeira tarde livre em 20 dias passeando por Copacabana, você percebe que uma praia de primeira linha deveria ser um elemento obrigatório de todas as Copas do Mundo, assim como estádios de primeira linha. Esta é a única coisa que os alemães não forneceram em 2006″.

O terceiro elemento são os brasileiros: no País, até mesmo os policiais militares dão cumprimentos quando você passa – mas ressalta, ironicamente, que isso acontece principalmente se você é um estrangeiro branco e de classe média. E o Brasil ensina uma lição ao mundo em meio aos transtornos que podem fazer os estrangeiros ficarem bem mal-humorados, aponta Kuper: com o tempo, você aprende a lidar com os contratempos com bom humor.

“O táxi que você pediu para o aeroporto não veio? Agora você está preso no trânsito? Sente-se e relaxe”, ressalta. 

Outro prazer é que esta é uma Copa do Mundo sem medo. “Os primeiros torneios em que eu fui foram ofuscados por medo obsessivo de arruaceiros”, avalia. Apesar da taxa de homicídio ser alta, o grande contingenciamento policial torna as áreas mais seguras. À noite, Rio e São Paulo estão vibrando com as pessoas, enquanto Joannesburgo, na última Copa do Mundo, de 2010, praticamente fechava. 

E finaliza ressaltando que, normalmente, os melhores momentos em uma Copa do Mundo é quando você escapar momentaneamente dela, com Kuper destacando a sua improvável e única visita à Amazônia. 

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“Cada Copa do Mundo é fascinante. O torneio dramatiza o papel da sorte na história, nos ensina a psicologia da mordida (referindo-se à Luis Suárez), oferece vislumbres sobre a genialidade humana, nos permite entrar na alma coletiva uruguaia coletivo e cria rapidamente uma conversa global. Se eu tiver um lamento, é que o técnico do Uruguai Oscar Tabárez está errado: a mídia britânica não é uma cabala que controla o mundo. Se ao menos isso fosse verdade…” ressaltou, defendendo-se das críticas do técnico.