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Todo mês de setembro, quando a Assembleia Geral da ONU se reúne em Nova York, o protocolo é o mesmo: o Brasil abre a lista de oradores, seguido pelos Estados Unidos, país anfitrião da organização.
Nesta terça-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetirá a tradição, subindo ao púlpito como primeiro chefe de Estado a discursar diante dos líderes mundiais.
Embora o Brasil tenha participado das primeiras sessões da ONU, foi a partir de 1955 que o país se consolidou como o orador inaugural. A explicação mais difundida é pragmática: em tempos de Guerra Fria, quando EUA e União Soviética evitavam abrir os trabalhos para não demonstrar fragilidade, o Brasil se oferecia a ocupar o posto. Esse gesto voluntário acabou cristalizando-se como tradição diplomática.

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Outra teoria sugere que a escolha foi um “prêmio de consolação” pelo país não ter conquistado assento permanente no Conselho de Segurança. Ainda assim, a versão oficial, reiterada por representantes da ONU, reforça que o Brasil “sempre se oferecia” para começar os discursos quando ninguém queria fazê-lo.
Para o Itamaraty, abrir a Assembleia Geral é um ativo estratégico. Dá ao Brasil visibilidade imediata em um dos palcos multilaterais mais importantes e reforça sua imagem de país disposto a dialogar acima das polarizações globais.
É também uma oportunidade de pautar, logo no início, temas prioritários para sua política externa — de meio ambiente a segurança alimentar.
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Desde a 10ª sessão da Assembleia Geral, em 1955, o Brasil só deixou de abrir os discursos em situações pontuais. Em 1983 e 1984, os Estados Unidos falaram primeiro. Mais recentemente, em 2016 e 2018, atrasos de presidentes americanos levaram Chade e Equador a ocuparem temporariamente a segunda posição.