Estratégia de Lula para desgastar Flávio pode beneficiar rival, diz professor

Para Jorge Chaloub, a associação generalizada da política à corrupção tende a favorecer candidatos de oposição e dificulta a estratégia de Lula de desgastar o adversário

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A troca de acusações entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro debate do segundo turno tende a favorecer mais o senador do que o presidente.

A avaliação é do cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que vê riscos na estratégia da campanha petista de concentrar os ataques ao adversário em denúncias e investigações.

Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta segunda-feira (19), Chaloub afirmou que o tema da corrupção costuma beneficiar candidatos de oposição, especialmente quando as acusações reforçam a percepção de que ela é um problema generalizado na política.

“Corrupção é mais tema de oposição do que de governo. Quando você vem de uma ideia de corrupção generalizada, isso beneficia mais a oposição do que o governo, porque isso traz uma certa sensação de mudança”, explicou.

Segundo Chaloub, os dois candidatos chegaram ao debate com estratégias distintas. Flávio buscou manter uma postura de enfrentamento característica de parte da direita contemporânea, enquanto Lula tentou ampliar o desgaste do adversário para conquistar eleitores que não o apoiaram no primeiro turno.

O problema para o presidente, na avaliação do professor, é que as acusações precisam ser diretamente associadas a Flávio para produzir o efeito desejado. Já o senador pode se beneficiar de uma narrativa mais ampla sobre corrupção e vinculá-la ao governo federal.

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“Para o Flávio, basta falar que a corrupção é generalizada e que a culpa é do Lula, porque ele está no governo. Então, é mais fácil a tarefa do Flávio”, afirmou.

O desafio de Lula

Chaloub também avalia que o histórico de escândalos e investigações envolvendo o PT contribuiu para consolidar, entre parte do eleitorado, uma associação entre corrupção e o campo político representado por Lula.

Essa percepção, segundo ele, dificulta que o presidente transforme o tema em uma vantagem eleitoral, mesmo quando os ataques são direcionados ao adversário.

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O professor ressalva, porém, que abandonar as críticas a Flávio também não seria uma alternativa simples. Como Lula já é amplamente conhecido pelos eleitores, a simples apresentação de realizações de seus governos pode ter alcance limitado na conquista de novos votos.

A campanha petista enfrenta, assim, o desafio de desgastar a imagem do senador sem permitir que o debate fique restrito ao tema da corrupção.

“Ele tem que desconstruir o Flávio, mas sem colocar o tema somente na corrupção ou vinculando a corrupção, fundamentalmente, só o Flávio, que nem sempre é uma tarefa fácil”, disse.

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Para Chaloub, o debate evidenciou justamente essa dificuldade. Embora a discussão sobre propostas e resultados de governo possa favorecer Lula em determinados temas, o cientista político avalia que isso nem sempre é suficiente para convencer eleitores indecisos ou dispostos a mudar de voto na reta final da campanha.

Nesta reta final da eleição, o Mapa de Risco terá edições especiais ao vivo, de segunda a sexta-feira, às 18h, no canal do YouTube do InfoMoney.

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Marina Verenicz
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