Fracasso da esquerda

Por que a esquerda está fracassando na América Latina? NYT responde

Muitos fatores são responsáveis por isso, aponta o jornal, como a situação econômica mais complicada derivada do fim do boom de commodities e também questões religiosas

SÃO PAULO – A era da esquerda acabou na América Latina? É melhor perguntar para o Brasil e para a Colômbia, recomenda o jornal New York Times, em matéria da última segunda-feira.

Com relação a esses dois países, o domingo não foi nada fácil para a esquerda: os colombianos rejeitaram um acordo de paz com as Farc, dando uma vitória para o ex-presidente conservador Álvaro Uribe, enquanto o PT sofreu uma dura derrota nas eleições municipais brasileiras.

“Esses são apenas dois sinais de mudança da América Latina para a direita. Em menos de um ano, eleitores frustraram movimentos de esquerda na Argentina, elegeram um ex-banqueiro de investimentos no Peru, enquanto parlamentares cassaram o mandato da líder de esquerda do Brasil”, aponta o jornal. O NYT destaca ainda a fala do professor de relações internacionais Matias Spektor, da FGV de que “o conservadorismo está em alta na região”. 

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Muitos fatores são responsáveis por isso, aponta o jornal, como a situação econômica mais complicada derivada do fim do boom de commodities, a influência maior das igrejas evangélicas, que estão se expandindo e canalizando a insatisfação generalizada com o status quo. 

“De país em país, os resultados são os mesmos: líderes abraçando políticas favoráveis ao mercado estão eclipsando as esquerdas que dominavam na década anterior. Os ante poderosos presidentes de esquerda como Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, agora enfrentam investigações de corrupção”, afirma o NYT. 

Contudo, isso não significa que todas as políticas dos últimos anos serão abolidas. Muitas das políticas que foram implementadas na região nas últimas décadas continuam tendo importância e popularidade, tanto que novos governos se demonstram favoráveis a políticas de combate à pobreza, como já sinalizado pelo brasileiro Michel Temer e pelo argentino Mauricio Macri.