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As plataformas de apostas políticas passaram a ganhar espaço no radar de investidores que acompanham o cenário eleitoral de 2026, mas seu papel ainda é limitado na formação dos preços dos ativos.
A avaliação é do analista de política da XP, Victor Scalet, durante participação no programa Mapa de Risco, novo programa de política do InfoMoney, disponibilizado nesta sexta-feira (23).
Ao comentar os dados do Polymarket, que indicam vantagem de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas apostas de vitória em 2026, Scalet afirmou que o mercado ainda enxerga o cenário como aberto.
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“O mercado tem essa expectativa de que essa discussão não está encerrada”, disse. Para ele, essa percepção aparece tanto nas apostas quanto, em parte, nos movimentos recentes dos ativos.
O analista, no entanto, fez uma ponderação direta sobre o peso desse tipo de plataforma. “A liquidez que tem no mercado do Polymarket é infinitamente menor do que é negociado no câmbio, do que é negociado na Bolsa, do que é negociado na curva de juros no Brasil”, afirmou.
Segundo Scalet, por isso, a relação entre apostas e preços funciona no sentido inverso do que muitas vezes se imagina.
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Termômetro, não motor
Na leitura do analista, o Polymarket não determina o comportamento dos mercados tradicionais.
“A determinação de preço de ativo não é o Polymarket que determina o preço da Bolsa ou o preço do câmbio, tende a ser o contrário”, afirmou. Para ele, as apostas refletem expectativas que já estão sendo formadas nos mercados mais líquidos, e não o ponto de partida dessas avaliações.
Questionado sobre como investidores podem monitorar se o mercado está reforçando ou reduzindo apostas em determinados cenários eleitorais, Scalet destacou dois vetores principais. O primeiro é o comportamento das pesquisas de opinião pública, que ajudam a identificar processos de consolidação ou enfraquecimento de candidaturas.
O segundo é justamente o acompanhamento das plataformas de apostas, apesar de suas limitações. “Acompanhar ali o Polymarket ou outros que fazem isso é um bom termômetro pelo menos para a gente, no dia a dia, tentar extrair a melhor informação possível”, afirmou. Ele ressaltou, porém, que o ideal segue sendo observar diretamente os preços dos ativos, como câmbio, Bolsa e juros.
Para Scalet, mesmo com o avanço do debate eleitoral, a chave continua sendo o fiscal. As apostas ajudam a mapear expectativas, mas o mercado só reage de forma consistente quando enxerga implicações concretas para a trajetória das contas públicas no médio prazo.