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SÃO PAULO – A previsão de paralisia do Congresso Nacional em 2006, em função das eleições, pode representar ao País um prejuízo de até US$ 12 bilhões. O cálculo foi feito para a revista Update, da Câmara Americana de Comércio (Amcham), pela Consultoria Tendências.
US$ 12 bilhões a menos
Segundo a consultoria, se o Congresso não priorizar as eleições e votar as reformas necessárias, o País pode crescer até 4% em 2006, mas se as expectativas se confirmarem e os parlamentares se ocuparem com as eleições em detrimento das votações urgentes, a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) cairia para 2,5%. Com o crescimento menor (de 1,5 ponto percentual), o Brasil deixaria de produzir aproximadamente US$ 12 bilhões.
“Não temos a menor dúvida de que este ano dificilmente algo de relevância será votado”, acredita o economista Roberto Padovani, sócio da Tendências. “Se isso ocorresse, com a aprovação das reformas fiscal e tributária, previdenciária, judiciária e ainda os marcos regulatórios, o País poderia alcançar facilmente 4% de crescimento do PIB”, conclui.
Para o presidente da Cargill (empresa fornecedora internacional de alimentos, produtos agrícolas e de gerenciamento de risco), Sérgio Barroso, a letargia do legislativo pode mesmo retrair os investimentos neste ano. “Eu acredito que o Brasil vá crescer menos de 4% este ano. Isto é muito ruim, porque em empresas como a nossa dependemos muito do mercado interno para crescer e definir estratégias de expansão”.
Reformas
Para o especialista em contas públicas, Raul Velloso, as mudanças constitucionais são fundamentais para reduzir gastos púbicos, as taxas de juros e fomentar o desenvolvimento.
Mesmo assim ele não acredita na votação de nenhum grande tema. “Em ano eleitoral, falar em reforma é heresia. Sempre traz desgaste político”, sentencia.
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Reforma tributária
Assim como afirmou ainda esta semana o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o secretário da Fazenda de São Paulo, Eduardo Guardiã, o governo precisa cortar gastos públicos para diminuir os impostos. “A não ação tem um custo. O País demorou a enfrentar a questão e agora tem de pagar por isso”.
Para a revista, enquanto as reformas não chegam, o governo deve levar 2006 na base da “Operação Remendo”, o que deve aumentar os gastos públicos.