Radar Político

Polêmica sobre patrimônio de R$ 15 mi dos Bolsonaros, “alerta” no Exército, Huck fala de política no Faustão e mais

Os destaques do noticiário político da sessão desta segunda-feira (8)

SÃO PAULO – Brasília está em recesso, mas o noticiário político foi bastante movimentado no fim de semana e também nesta segunda-feira. Além da polêmica sobre o patrimônio do deputado  federal Jair Bolsonaro e de seus filhos com a notícia da Folha de S. Paulo, esteve a repercussão da ida de Luciano Huck ao Domingão do Faustão, enquanto o PSDB e partidos aliados deram até abril para Geraldo Alckmin atingir o patamar de 10% nas pesquisas eleitorais. Confira os destaques:

Polêmica com Bolsonaro  

No último domingo, a notícia da Folha de S. Paulo sobre o patrimônio do deputado federal Jair Bolsonaro e de seus filhos ganhou muita repercussão. O jornal apontou em levantamento que Bolsonaro e seus três filhos que também exercem mandatos políticos somam ao menos R$ 15 milhões em patrimônio imobiliário, apresentando uma “evolução patrimonial acelerada” nos últimos dez anos. 

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Até 2008, a família declarava cerca de R$ 1 milhão à Justiça Eleitoral, incluindo apenas 3 dos 13 imóveis atuais em áreas nobres do Rio, como Urca, Copacabana e Barra da Tijuca. O jornal ressalta que o filho mais velho, Flávio Bolsonaro, teria realizado transações relâmpago de 19 imóveis em 13 anos.  A publicação ainda aponta que a casa em que Bolsonaro mora no Rio de Janeiro foi comprada a “a preços bem mais baixos” aos estimados pela prefeitura da capital fluminense à época. Pelos critérios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), unidade do Ministério da Fazenda que detecta operações irregulares no sistema financeiro, e do Cofeci (Conselho Federal dos Corretores de Imóveis), a compra da casa onde vive o deputado federal e pré-candidato Jair Bolsonaro (PSC-RJ), no Rio, tem indícios de operação suspeita de lavagem de dinheiro, diz o jornal. 

Bolsonaro declarou apenas um carro, uma moto e dois lotes com valor estimado de R$ 10 mil no interior do Rio quando entrou na política, em 1988. Hoje, além dos imóveis, os “Bolsonaros” possuem aplicações financeiras que, somadas, totalizam R$ 1,7 milhão. Procurados pelo jornal, eles não se pronunciaram, mas rebateram a notícia nas redes sociais. 

Ao site O Antagonista, Gustavo Bebianno, advogado e assessor de Jair Bolsonaro, destacou que a defesa do deputado é o próprio parecer de Janot citado pela própria Folha. A publicação lembra que, em 2015, a Procuradoria-Geral da República recebeu uma denúncia questionando os valores informados por Bolsonaro em relação às suas duas casas da Barra. “Apenas tendo ouvido a defesa do presidenciável, o então procurador-geral, Rodrigo Janot, mandou arquivar o expediente dizendo que os valores eram os mesmos do Imposto de Renda. Janot alegou se tratar de denúncia anônima sem ‘elementos indiciários mínimos’ de ilícito.”, segundo a publicação. A Folha também destacou que, após a reportagem do jornal, Bolsonaro falou ao “Blog Família Bolsonaro” em calúnia. 

Alerta do Exército

Segundo informou o Estadão no último fim de semana, atos a favor de Lula estão colocando os serviços de inteligência das Forças Armadas “em alerta”. Na sexta-feira, o líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, anunciou, por meio de um vídeo, que a Frente Brasil Popular pretende realizar atos em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o julgamento do petista pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), no dia 24, em Porto Alegre – e ligou o sinal no Exército. 

Uma fonte oficial da agência de inteligência informou que as instituições acompanham as atividades de movimentos como o MST e de seus líderes, como Stédile, “dentro da agenda de trabalho de rotina em todo o País”.  Stédile afirmou no vídeo  que o MST e outros 87 grupos e partidos que integram a Frente Brasil Popular preparam, a partir de março, uma série de mobilizações em defesa do ex-presidente que vai culminar em ato para 100 mil pessoas no Maracanã, em julho. A partir de então, segundo Stédile, os movimentos vão transformar a campanha eleitoral em uma “luta de classes”.

Já nesta segunda-feira, o jornal informa que a cúpula das Forças Armadas teme a “politização” dos pedidos de socorro para reforçar a segurança pública nos Estados durante as eleições deste ano. Os militares consideraram o pedido feito na semana passada pelo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), de apoio durante o julgamento de Lula uma “banalização” do uso das tropas.  Os militares destacam, contudo, que o chamado de tropas federais só deve ocorrer em cenário de descontrole da ordem, Desta forma, a cúpula das Forças Armadas descarta ações preventivas, como o pedido feito pelo prefeito de Porto Alegre, afirma a publicação, ponderando que, como destacado no sábado, o serviço de inteligência dos militares está “em alerta” em razão de manifestações marcadas em defesa do ex-presidente.

 Joaquim Barbosa e Datena

Após “perder” o deputado federal Jair Bolsonaro, que assinou na última sexta-feira (5) compromisso com o PSL para a candidatura à presidência, o Patriota já mira em outro nome. Conforme informa a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, na sexta-feira, Adilson Barroso, o presidente do partido, entrou em contato com Joaquim Barbosa, querendo se colocar como uma opção ao PSB, que negocia com Barbosa uma candidatura. 

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Barbosa não deu qualquer resposta e, segundo o jornal, a chance do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) se filiar ao Patriota “é a mesma que Sérgio Cabral tem de ser absolvido em todos os processo a que responde”. Ou seja, uma chance mínima de acontecer. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Barroso já havia afirmado que, sem Bolsonaro, pretendia convencer Barbosa a sair candidato. 

Enquanto isso, o jornal O Estado de S. Paulo informou na última sexta-feira que o jornalista José Luiz Datena e o PRP (Partido Republicano Progressista) irão se reunir hoje. O partido irá propor ao apresentador do programa Brasil Urgente uma pré-candidatura à Presidência.

Ao ser procurado pelo Estadão, Datena , se disse surpreso e lisonjeado pela lembrança de seu nome. Ele confirmou que deve conversar sobre o assunto na reunião se segunda, mas deixou claro que “pretende continuar ajudando a sociedade como jornalista” e que, portanto, “irá recusar o convite”.

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Meta do Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reforçou sua posição como candidato à presidência do campo governista. Contudo, precisa emplacar entre 10% e 15% até abril nas pesquisas de intenção de voto para deslanchar a sua campanha. Essa é a avaliação de estrategistas tucanos e de siglas aliadas ao governo Temer, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Até hoje, Alckmin não ultrapassou os 8% nas pesquisas e, caso siga nesse patamar, outros nomes começam a ser cogitados para representar o centro. As especulações variam mas, em geral, apontam convergência para a necessidade de buscar um representante do “novo”, que hoje atende pelo nome de Luciano Huck, afirma a publicação.

O apresentador já anunciou estar fora da disputa, mas segue em contato com marqueteiros e nomes da política porque não abandonou completamente a ideia de concorrer. Abril também é limite para ele, no caso para filiar-se a algum partido – O PPS já o convidou formalmente. Aliados de Alckmin, contudo, mantêm um otimismo reservado sobre as chances de decolagem da candidatura, em meio às manifestações dos ministros Gilberto Kassab (PSD) e Carlos Marun (MDB), que não descartaram apoio ao tucano na semana passada. Essas falas foram vistas como senhas de que, apesar do cenário pulverizado, há pouco espaço para mais uma candidatura centrista viável, como a do ministro Henrique Meirelles (Fazenda, PSD) ou de algum nome do DEM. 

Sobre Alckmin, duas entrevistas marcam como o partido está dividido. Em entrevista ao Estadão, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), afirmou que “só Alckmin pode vencer Lula, se este for candidato em 2018”. Já Arthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus, colega de partido de Geraldo Alckmin no PSDB, disse ao Poder 360 que o governador não é o nome certo para concorrer ao Planalto. “Geraldo é um ortodoxo que não tem como surpreender ninguém”, disse ele, apontando que, se os tucanos escolherem o governador, estarão abrindo mão de ter um nome forte para contrapor Lula e Bolsonaro na campanha. Virgílio quer ser um dos candidatos à presidência. 

Luciano Huck fala de política no Faustão

A ida do apresentador global Luciano Huck no programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, repercutiu bastante nas redes sociais e mostrou que, apesar da negativa dele de negar ser candidato no final de novembro, ele ainda não descarta totalmente uma candidatura (no futuro). Apesar de negar mais uma vez que pretenda sair candidato à Presidência da República neste ano e dizer que opta pela via dos “movimentos cívicos”, pois “os partidos políticos estão derretendo”, apontou: “o que o destino e o que Deus esperam para mim vou deixar rolar”, disse.

“Neste momento, se eu me isentar de tentar melhorar, eu estaria sendo covarde. Não quero que seja uma pretensão minha e não quero ser pretensioso de maneira nenhuma. O que estou fazendo, e vou continuar fazendo, é tentar mobilizar uma geração inteira, não importa se é de direita ou de esquerda, não acredito mais nisso. E não queria fazer isso pelos partidos políticos, porque eles estão derretendo, temos que ocupar de novo. Optei fazer pelos movimentos cívicos, gente da sociedade civil que está a fim de se juntar para ter ideia e falar ‘quero ser deputado’, ‘quero ser governador’, ‘quero ser senador’, e mobilizar essas pessoas a se lançarem na política para tentar renovar”, afirmou. 

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“Minha missão esse ano é tentar motivar as pessoas a que votem com muita consciência e que a gente traga os amigos que estão a fim para ocupar a política, senão não vai ter solução. Eu nunca, jamais, vou ser o salvador da pátria e o que vai acontecer na minha vida eu também não sei. Eu amo o que eu faço, eu amo estar todo sábado na televisão, eu gosto muito de estar com as pessoas, de contar as histórias. Então, o que o destino e o que Deus espera para mim, vou deixar rolar”, respondeu.

Reforma da Previdência

Como já noticiado desde o mês passado, o presidente Michel Temer receberá o apoio do SBT para explicar a nova proposta da reforma da previdência ao grande público. Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o presidente acertou os compromissos no último domingo (7) em um longo almoço na casa de Silvio Santos, dono do SBT: o presidente gravará participações nos programas de Sílvio e também do Ratinho. 

O dono do SBT justificou o convite: “Eu não entendo o que vai ser votado”, disse. “Quero que você vá lá e me explique. Se eu entender, o povo entende”, afirmou, segundo o jornal. As entrevistas serão gravadas no próximo dia 18.

Apesar dos esforços, dirigentes de legendas da base aliada apontam que será  difícil aprovar a reforma em fevereiro. Segundo o jornal, eles calculam que faltam 30 votos que o governo não tem de onde tirar.