Ex-presidente

Poder de Dilma está se desmilinguindo, esfarinhando, diz FHC

Em entrevista ao Estadão, ele afirmou que o desfecho da atual crise está fora do alcance da política e dos políticos

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SÃO PAULO – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso destacou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo a fragilidade da presidente Dilma Rousseff, comparando o momento político atual com os de João Goulart (1964) e Fernando Collor de Mello (1992). “A gestão Dilma, vai se desmilinguindo, esfarinhando, a gente viu isso em vários momentos, no momento do Jango, do Collor, por razões diferentes e de formas diferentes”, afirmou.

“Ela pode reagir? Pode, ela pode tentar assumir o comando. Mas como? Tem que mudar de base? Quando os ventos são favoráveis, você reconstrói facilmente a sua base de sustentação”, afirmou, destacando que a economia não vai bem e nós passamos de um presidencialismo de coalizão para um presidencialismo de cooptação. “Isso muda muitas coisas porque distorce as instituições de representação. A base de sustentação foi ficando cada vez mais fisiológica, clientelista”, completa.

Para ele, Dilma, pessoalmente, não tem afinidade com isso, mas ela está envolvida nesse processo. “Ela tentou em vários momentos sair da armadilha. Mas sair com quem? Ela vai mudar de campo? Não pode mudar de campo. Então, fica difícil”, afirmou.

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Para ele, o movimento pró-impeachment não é golpe. “Falar em golpe me parece exagero daqueles que nunca foram realmente democratas, porque ninguém está propondo o golpe, que eu saiba”, disse. “Entendo que a população quer tirar a Dilma. Tudo bem, mas é um sentimento periférico, mas e depois? E as instituições? Qual é a base para se tirar? Não pode. Você tem que seguir a Constituição”, afirmou, ainda.

Em caso de o vice-presidente, Michel Temer, assumir, ele avalia que “o problema continuará de pé”. “Não é só para Temer. Qualquer um que vá para o governo hoje vai se defrontar com um panorama político muito difícil”. Sobre a declaração do vice de que, com o atual índice de popularidade, Dilma não resistirá a três anos e meio de governo, avalia ter “peso”, por vir do vice, que está no governo.

Para FHC, o desfecho da atual crise está fora do alcance da política e dos políticos. “Não sabemos quais atores políticos estarão em pé daqui a três meses”. O futuro passa pela Operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras, e pela recuperação ou não da economia, diz FHC.