PMDB nega manobra para livrar Calheiros do processo no Conselho de Ética

Processo ainda não tem relator definido; Ordem dos Advogados defende renúncia do presidente do Senado

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SÃO PAULO – Os líderes do PMDB no Senado trabalham nos bastidores para substituir do Conselho de Ética os parlamentares da base aliada do governo que podem trazer votos contrários ao presidente do Senado, Renan Calheiros, no processo por quebra de decoro parlamentar, de acordo com informações que circulam na imprensa.

Segundo especulações, lideranças do partido avaliam que o melhor caminho é substituir os parlamentares que possuem postura independente nas investigações por senadores mais afinados com Renan. O líder do governo no Senado, Romero Jucá, garantiu que o partido não está fazendo manobra para livrar o presidente da Casa do processo no Conselho de Ética.

“Quem fala pelo PMDB é o líder Valdir Raupp, mas o partido, ao que eu saiba, não está chantageando e não está fazendo nenhum tipo de manobra no Conselho de Ética. O PMDB está, democraticamente, claramente querendo que seja investigada a questão do presidente Renan dentro dos ditames legais e dentro do Regimento do Senado”, afirmou Jucá.

Processo ainda sem relator

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O novo presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha , ainda não definiu o nome do relator do processo contra Renan Calheiros no conselho. Na última quinta-feira, Quintanilha chegou a convidar publicamente o senador Renato Casagrande para relatar o processo, só que nesta sexta disse ter resolvido fazer uma consulta à assessoria jurídica do Senado sobre a legalidade das investigações contra o presidente da Casa antes de designar o relator.

OAB defende renúncia de Renan

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, defendeu o afastamento imediato do senador Renan Calheiros da presidência da Casa. Para Britto, Renan deveria se afastar para que o processo pudesse ser analisado com mais transparência pelo Conselho.

Renan é alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado. Ele é acusado de ter usado o lobista Claudio Gontijo, da Mendes Júnior, para pagar aluguel e pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.