Ainda não acabou

PMDB e protestos: como o fim de semana pode tornar o cenário ainda mais “explosivo” a Dilma

A presidente teve uma semana cheia, mas os temores ainda estão longe de acabar - ela enfrenta dois eventos decisivos no sábado e no domingo

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – A semana foi muito longa para a presidente Dilma Rousseff, em meio ao cenário político cada vez mais conturbado e cada vez mais deteriorado para ela e para Lula. Porém, Dilma não terá descanso neste final de semana, que será muito movimentado e pode produzir ainda mais combustível em um cenário cada vez mais explosivo.

Os eventos deste final de semana são importantes para definir quais serão os próximos passos do governo: no sábado, haverá a convenção nacional do PMDB em Brasília para reeleger o vice-presidente Michel Temer como líder do partido. Mas Dilma ficará atenta a outro fator: as indicações cada vez mais claras de que o partido está em vias de fazer um desembarque do governo graças à gravidade da situação política. 

No domingo (13), por sua vez, estão convocadas as primeiras manifestações antigoverno em todo o País de 2016. E, de acordo com a consultoria Arko Advice, a expectativa é de que os protestos de domingo contem com um número igual ou superior aos de 15 de março de 2015, mesmo após os últimos protestos terem encolhido. A manifestação de março do ano passado contou com a presença de três milhões de pessoas (segundo a Polícia Militar, com 2,4 milhões). 

Aprenda a investir na bolsa

“É muito pouco provável que seja um fracasso”, afirma o relatório da consultoria. Os motivos para tanto são o avanço das investigações da Lava Jato e o fato delas terem atingindo o ex-presidente Lula, além da piora nos indicadores econômicos e a dificuldade do governo para contornar a crise política e econômica.

A Arko traça dois cenários possíveis, ressaltando que, no primeiro cenário, com adesão modesta da população, o governo ganha tempo, enfraquece o discurso da oposição, deixa a base aliada mais cautelosa em relação ao impeachment, estimula o PT a se mobilizar a favor do governo, além de diminuir a expectativa de novos protestos. Enquanto isso, no cenário expressivo, Dilma é obrigada a buscar alternativas institucionais para a superação da crise, há uma elevação da pressão sobre o impeachment, agrava a crise de credibilidade do governo frente aos aliados, obriga o PT a fazer mobilizações também convincentes, eleva o risco de tensão social e estimula novos protestos anti-governo, com o apoio da oposição. 

Conforme destacou o analista político da Tendências Consultoria, Rafael Cortez, os protestos anti-governo devem adicionar legitimidade aos esforços da oposição para tirar a presidente do cargo, caso eles se mostrem bastante expressivos. Também há muitos temores de que haja maior acirramento e até confrontos mas, para Cortez, eventuais confrontos serão isolados.  

PMDB, aguardando a manifestação…
Até por conta da manifestação ocorrer depois da convenção do PMDB, a avaliação é de que o maior partido da base aliada não deve romper oficialmente com o governo, mas deve mostrar um afastamento cada vez maior. 

“Na Convenção do PMDB, haverá duras as críticas ao governo. Pode ser decidido que os parlamentares estão liberados para votar conforme queiram – não muito diferente do que já acontece hoje -, mas não haverá ruptura, como declarar ir para a oposição ou entregar cargos. Para o governo, felizmente a convenção é antes das manifestações. Se fosse o contrário, seria pior”, afirma o analista político da Arko Advice, Cristiano Noronha.

Porém, se a manifestação de domingo for intensa, este pode ser o ponto que faltava para o PMDB oficializar o seu desembarque do governo, afirma o cientista político da Barral M. Jorge, Gabriel Petrus: “isso imprimirá ao processo de impeachment um novo ritmo com poucas chances de reversão para o governo”. 

PUBLICIDADE

“Diria que o PMDB está neste momento alçando seus botes para fora do barco governista para, na sequência – depois de uma avaliação profunda sobre a repercussão das ruas – rumar para novos mares”, afirma o analista político. 

Desta forma, o governo está em alerta e extremamente preocupado uma vez que, se o “fiel da balança” der sinais de abandonar o governo, Dilma ficará ainda mais fraca. Assim o Palácio do Planalto teme o resultado da convenção, principalmente após a reunião entre senadores do PMDB e do PSDB na noite da última quarta-feira (9). 

Apesar das negativas, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, os principais senadores do PMDB, antes governistas, passaram a defender o fim do apoio ao governo na Casa e vão procurar a bancada do partido na Câmara para que deputados sigam o mesmo caminho. O movimento teria sido traçado em um jantar com senadores do PSDB na casa de Tasso Jereissati, segundo as pessoas ouvidas. 

Porém, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) tentou amenizar os rumores: “o PMDB deve fazer sua convenção com muita responsabilidade porque qualquer sinalização que houver com relação ao posicionamento do PMDB pode diminuir ou aumentar a crise”. 

Assim, Dilma segue em alerta: dependendo do tom adotado pelo PMDB no sábado e/ou da expressão das manifestações anti-governo no domingo, a presidente poderá ter motivos para respirar mais aliviada – ou para ficar ainda mais preocupada. 

Especiais InfoMoney:

Como o “trader da Gerdau” ganhou meio milhão de reais na Bovespa em 2 meses 

As novidades na Carteira InfoMoney para março

André Moraes diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa

PUBLICIDADE