Procrastinando

PMDB adia para março encontro para decidir sobre permanência no governo

Em meio a tantas incertezas, ficou mantido apenas um encontro nacional na Fundação Ulysses Guimarães, comandada pelo presidente da instituição Moreira Franco e o atual vice-presidente da República Michel Temer

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SÃO PAULO – Reduto de expressivo grupo de parlamentares insatisfeitos com o governo, o PMDB decidiu adiar de novembro para março do ano que vem a convenção nacional que pode determinar a ruptura oficial do partido com o governo Dilma Rousseff. A procrastinação pode ter sido importante para a manutenção oficial da legenda na base, apesar das frequentes dissidências, uma vez que hoje se entende que uma reunião no contexto atual teria chances não remotas de representar o desembarque efetivo. Um dos principais nomes a defender a ruptura é o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que anunciou migração oficial para a oposição em julho, mas já havia apoiado a eleição de Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa presidencial do ano passado e entrado em rota de colisão do Planalto em outros momentos importantes.

Conforme a coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo informou na manhã desta terça-feira (20), a estratégia de adiar o encontro aplicada por alas governistas do PMDB e com o apoio de lideranças do governo responde a uma tentativa de se ganhar tempo para recompor a desgastada relação com o principal partido da base – apesar de contemplado com mais ministérios na reforma recente. O adiamento também poderia dar tempo ao partido para que a situação de Eduardo Cunha chegasse mais próximo de um desfecho.

Em meio a tantas incertezas, ficou mantido apenas um encontro nacional na Fundação Ulysses Guimarães, comandada pelo presidente da instituição Moreira Franco e o atual vice-presidente da República Michel Temer, cuja situação passaria por momentos curiosos caso o partido do qual é presidente nacional abandonasse o governo do qual ele mesmo é parte. O encontro contaria apenas com a presença de caciques da sigla, que deverão tratar de um programa de governo e a possibilidade de lançar candidatura própria À presidência em 2018, conforme informa a jornalista Marina Dias. Vice-presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp (RO) teria amenizado os efeitos do adiamento, alegando que isso teria ocorrido por conta de dificuldades logísticas para a organização do evento.

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