Defendida por Lula, isenção de imposto para PLR custaria R$ 10 bi em 2026

Projeto que equipara o tratamento tributário de trabalhadores e acionistas está parado na Câmara, cria uma renúncia bilionária para os próximos anos

Marina Verenicz

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP30, em Belémembro de 2025
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP30, em Belémembro de 2025 REUTERS/Adriano Machado

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A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil abriu caminho para uma nova pressão do governo: isentar também a participação nos lucros e resultados (PLR).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido publicamente que trabalhadores recebam o mesmo tratamento tributário de sócios e acionistas, que hoje não pagam IR sobre lucros e dividendos. A mudança, porém, enfrenta resistência porque afeta diretamente a arrecadação. Cálculos da Fazenda estimam renúncia de R$ 10 bilhões em 2026 e R$ 11 bilhões em 2027.

O debate gira em torno do PL 581/2019, apresentado no Senado por Álvaro Dias e aprovado pela Casa em dezembro de 2022. O texto chegou à Câmara no início do novo governo, mas avança pouco desde então.

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A Comissão de Trabalho da Casa deu sinal verde para o andamento da proposta no fim de 2023, e o PL foi encaminhado à Comissão de Finanças e Tributação (CFT), responsável por avaliar o impacto fiscal. Desde sua chegada, no entanto, a matéria permanece sem votação.

Em setembro, a relatora no colegiado, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), apresentou parecer favorável à proposta. Ela argumentou que a PLR tem natureza indenizatória e, portanto, deveria ser tratada como os dividendos distribuídos a acionistas. O parecer, porém, não indicou medidas compensatórias.

Poucas semanas depois, a Consultoria de Orçamento da Câmara apontou que o texto é inadequado do ponto de vista fiscal, travando novamente o andamento.

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Como é a tributação hoje

A PLR tem uma tabela exclusiva, separada do IR sobre salários. A cobrança começa quando o valor anual supera R$ 7.407,11. A partir daí, o imposto é aplicado de forma progressiva:

Até R$ 7.407,12 — isento
De R$ 7.407,12 a R$ 9.922,28 — alíquota de 7,5% e dedução de R$ 555,53
De R$ 9.922,29 a R$ 13.167 — alíquota de 15% e dedução de R$ 1.299,70
De R$ 13.168,01 a R$ 16.380,38 — alíquota de 22,5% e dedução de R$ 2.287,23
Acima de R$ 16.380,38 — alíquota de 27,5% e dedução de R$ 3.051,53

A parcela dedutível reduz o imposto retido, mas a cobrança continua sendo significativa para quem recebe PLR maior. É justamente essa tributação que Lula tenta derrubar, enquanto a Câmara discute como compensar o impacto nas contas públicas.