Plano para apoiar indústria desagradou Lula, dizem fontes

Presidente considerou que faltam de metas mais claras na proposta capitaneada pelo seu vice, Geraldo Alckmin

Reuters

O presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin durante chegada ao Congresso Nacional, em Brasília (Matheus W. Alves/Futura Press/Estadão Conteúdo)

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A nova política industrial, apresentada com pompa pelo governo na segunda-feira (22), foi recebida com decepção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que reclamou da versão final da proposta, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento da reação do presidente.

Em reunião com ministros antes da apresentação do plano, Lula criticou o que considerou a falta de metas mais claras na proposta capitaneada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), de acordo com as fontes. Ele também considerou que faltou ao plano parâmetros definidos para monitorar o avanço das propostas, especialmente nas áreas que envolvem financiamento para a indústria.

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A cerimônia de apresentação no Palácio do Planalto atrasou quase duas horas porque o presidente estava reunido com os ministros da Casa Civil, Rui Costa (PT), e da Secretária de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), para debater o programa. Foi nesse encontro que o presidente cobrou seus ministros.

Em sua fala durante a cerimônia de lançamento, ao pedir desculpas pelo atraso, Lula afirmou que a demora aconteceu porque teve “uma discussão ruim sobre coisas boas”, mas não deu detalhes. De acordo com as fontes, apesar de ter levado adiante a apresentação na própria segunda, Lula pediu ajustes ao plano, especialmente no monitoramento das metas.

Chamado de “Nova Indústria Brasil”, o plano vem sendo tocado por Alckmin desde a transição de governo, no final de 2022, e envolve áreas que vão de saúde a meio ambiente. O plano prevê seis “missões”, como descarbonização da economia e melhoria de infraestrutura e transformação digital da indústria, e R$ 300 bilhões em recursos para financiamentos, vindos principalmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de também incentivos fiscais.

Após o anúncio do plano, o dólar subiu mais de 1%, em função dos receios com o equilíbrio fiscal brasileiro, ainda que operações do BNDES sustentem o programa — o que não necessariamente trará impacto fiscal para o Tesouro. Do lado da indústria, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) viu a iniciativa como tendo potencial de incentivar o desenvolvimento do setor, e o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) disse que será necessário “muito foco” por parte do governo para o plano ter sucesso.

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