Alckmin diz que plano para indústria não tem a ver com fiscal e que não haverá novos aportes no BNDES

Vice-presidente também disse que governo não abrirá mão de impostos para incentivar a renovação do parque industrial brasileiro

Equipe InfoMoney

Brasília (DF), 06/07/2023 - O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante entrevista coletiva após reunião do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), disse nesta quarta-feira (24) que o plano anunciado pelo governo para a indústria “não tem nada a ver” com a questão fiscal do país e assegurou que não haverá novos aportes no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para colocá-lo em prática. “O governo não vai fazer aporte no BNDES, não vai colocar recurso a mais”.

Alckmin disse, inclusive, que “parte do dinheiro para financiar o projeto de incentivo à indústria será captado no mercado” e que o governo também não vai abrir mão de impostos para promover o “Nova Indústria Brasil”. “Não tem nenhum dinheiro do governo. Na realidade, não tem impacto fiscal”, afirmou o vice-presidente, em entrevista ao UOL.

“Não tem nada a ver com questão fiscal. O governo não vai fazer nenhum aporte de dinheiro para o BNDES, não vai colocar recurso a mais no BNDES. Não há nada”, assegurou o vice-presidente. “Não tem dinheiro fiscal, o que tem está previsto no Orçamento. O BNDES não vai pedir dinheiro para o Tesouro, não vai. Não tem acréscimo do ponto de vista fiscal, e o BNDES não vai comprar ações de empresas. O que você tem é apoio à inovação, senão a indústria morre”.

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O político aponta um preconceito em relação ao banco de fomento. “Eu enxergo que há um certo preconceito com o BNDES. O BNDES lá atrás financiou, porque você tinha TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, que não é mais usada como referência nos contratos do banco), então você financiava alguns setores. Acabou. Não existe mais isso”, disse. “No programa industrial, o BNDES quer participar de fundo na área de minerais críticos em áreas estratégicas. O valor é mínimo”.

Capitaneada por Alckmin, a nova política industrial do governo vai oferecer R$ 300 bilhões em financiamentos até 2026, para impulsionar o desenvolvimento do parque fabril nacional. Mas fontes dizem que o plano desagradou Lula, e ele também foi recebido negativamente pelo mercado financeiro, devido a temores com o impacto fiscal da proposta. Alckmin atribui essas reações à “desinformação”.

O vice-presidente também defendeu a exigência de conteúdo nacional previsto no plano, ao argumentar que Estados Unidos, Europa e China também adotam essa medida, e disse que a medida é necessária para proteger o emprego local. “Se você não exigir conteúdo [nacional] é muito fácil, eu só monto aqui as coisas. Eu produzo lá fora e trago aqui”.

“Estamos cansados de fazer antidumping, porque o cara subsidia lá fora para vender aqui dentro”, afirmou o político. “Então é natural que você exija [conteúdo nacional]. Nós não queremos só montar no Brasil, nós queremos que fabrique aqui, que a peça seja produzida aqui, que você avance do ponto de vista tecnológico”. Ele acrescentou, no entanto, que este ponto do projeto ainda será discutido e regulamentado e que a exigência de conteúdo nacional será feita de forma criteriosa e transparente.

Eleições em 2026

Questionado sobre a eleição de 2026, Alckmin afirmou que Lula é “o candidato natural”. “O candidato natural é o presidente Lula. Onde tem reeleição, o candidato natural é o titular. Eu fui três vezes reeleito governador de São Paulo, é natural que o titular seja o candidato”.

O político paulista, no entanto, evitou dizer se pretende repetir a “dobradinha” de 2022 com Lula, que está com 78 anos. Para isso, recorreu à sua famosa vertente de contador de histórias. “Em Pindamonhangaba tinha um cinema, Cine São José e Cine Brasil. No domingo a gente ia no filme e tinha um seriado. Então estava no seriado e aí a mocinha do filme caía no precipício. Aí fechava a tela e dizia: ‘volte domingo que vem'”.

Eleições em 2024

Alckmin falou também sobre a eleição municipal em São Paulo. Filiado ao PSB, o ex-tucano apoia a pré-candidatura da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP), enquanto Lula e o PT apoiarão o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), indicando inclusive a candidata a vice na chapa: Marta Suplicy, que voltará ao partido. O presidente participou ativamente da costura para trazer a ex-prefeita de volta e disse, em entrevista a uma rádio de Salvador, que o pleito na capital paulista será “uma confrontação direta entre o ex-presidente e o atual presidente”.

Sem mencionar Jair Bolsonaro (PL), Lula tenta polarizar e nacionalizar a eleição para a prefeitura de São Paulo, que deve afunilar entre Boulos, segundo colocado na disputa de 2020, e o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), que assumiu após a morte de Bruno Covas (PSDB) e é apoiado pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Indagado sobre a declaração de Lula, Alckmin afirmou que os temas locais são mais relevantes em uma disputa municipal do que eventuais apoios de figuras nacionais.
“Eleição municipal é local. Claro que os apoios, ter o aval, ter o apoio de alguém, uma recomendação, ajuda. Mas não é o fator decisivo”.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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