"Depoimento-bomba"

Planalto fala em crise “generalizada”; presidente da Câmara diz que “Calero enlouqueceu”

Para auxiliares e assessores presidenciais, o problema que era antes localizado, focado apenas no ex-ministro, tornou-se "generalizado" e começa a afetar a imagem pública de Temer

SÃO PAULO – O depoimento do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero caiu como uma “bomba” na Planalto nesta quinta-feira (24). Em conversas reservadas, auxiliares e assessores presidenciais comentam que o que antes um problema localizado, focado apenas em um ministro, agora tornou-se “generalizado” e começa a afetar a imagem pública do presidente da República, Michel Temer. 

Segundo a Folha de S. Paulo, um aliado do presidente disse que Temer poderia ter evitado um agravamento do quadro atual caso tivesse afastado o ministro do cargo, dando um exemplo de “punição púbica”, mas agora o diagnóstico é que, caso o afaste, o presidente estaria “assinando um atestado de culpa”. O blog de Gerson Camarotti, do G1, diz que o Planalto teme que Calero tenha gravado a conversa com o presidente. 

Na noite desta quinta-feira, o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, fez um pronunciamento à imprensa no qual disse que Temer procurou Calero duas vezes para tentar resolver o “impasse” na sua equipe e evitar conflitos entre os ministros de Estado. 

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Ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acusou o ex-ministro de ter “enlouquecido” e disse que “não é perfil” de Temer fazer pressão sobre aliados. “Esse Calero enlouqueceu. Michel não faz isso. Não acredito, não é o perfil do Michel”, disse. 

À PF, Calero disse que foi convocado por Temer para comparecer ao Palácio do Planalto na última quinta-feira (17) e que o presidente teria dito que a decisão do Iphan  (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) havia criado “dificuldades operacionais” em seu gabinete, dado que Geddel encontrava-se bastante irritado, e pediu que ele construísse uma saída para que o processo fosse encaminhado à AGU (Advocacia-Geral da União), porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução.

Em seguida, Calero afirma que Temer encarava com normalidade a pressão de Geddel, articulador político do governo, e que teria dito ao final da conversa “política tinha dessas coisas, esse tipo de pressão”. 

Calero pediu demissão do cargo de ministro na última sexta-feira (18), citando como principal motivo para sua saída a pressão que sofreu do titular da Secretaria do Governo para liberar o empreendimento imobiliário de alto luxo La Vue Ladeira da Barra, situado em Salvador, que está agora no centro da recente crise envolvendo o Palácio do Planalto. 

Após a revelação do depoimento, senadores e deputados da oposição começam a defender um pedido de impeachment do presidente, indicando crime de responsabilidade (veja mais clicando aqui).  

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que Temer usou a Presidência para defender interesses privados e que ele teria que responder processo por crime de responsabilidade para ser julgado pelo Congresso. O petista se reuniu nesta noite com a assessoria jurídica do PT e disse que a intenção é protocolar um pedido de impeachment nos próximos dias.