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A entrevista concedida pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e diretores da Polícia Federal para comentar a operação policial que prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique, na manhã desta quinta-feira, foi um pedido do ministro da Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. A estratégia foi usar as investigações envolvendo o Banco Master para exaltar ações do Executivo no combate ao crime organizado, diante do temor entre aliados da influência que o caso pode ter na disputa eleitoral deste ano.
Embora o caso não tenha revelado implicações diretas de integrantes do governo, aliados de Lula, como o presidente do PT, Edinho Silva, apontam que as repercussões envolvendo o escândalo financeiro do banco Master têm influência na queda de popularidade do presidente.

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– A pesquisa é uma fotografia do momento, e reflete o crescimento do sentimento antissistema, principalmente por conta das denúncias de corrupção que o país está vivendo. Aos olhos da sociedade, se existe corrupção, a responsabilidade é do governo, é das instituições, e o presidente da República é o maior líder institucional do país – declarou.
No governo, porém, interlocutores de Lula se veem diante de um dilema sobre como tratar o caso. De um lado, há receio entre aliados em explorar as investigações por conta das suspeitas levantadas sobre o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com Daniel Vorcaro, dono do Master. Por outro, integrantes do Palácio do Planalto defendem dar mais publicidade às investigações como forma de reforçar o discurso de que Lula age contra o crime organizado e, em especial, “do andar de cima”, como o petista tem repetido em seus discursos.
A iniciativa de escalar o ministro da Justiça para falar da operação de hoje faz parte dessa estratégia, que ainda está sendo testada. O ministro da Justiça, por exemplo, foi à entrevista sem ter detalhes da operação e apenas três perguntas foram respondidas aos jornalistas. Questionado se a convocação de uma entrevista para comentar a operação relacionada ao Master teve relação com a tentativa de o governo tentar capitalizar politicamente as investigações, Wellington negou e disse que o motivo foi o “dever de informar”.
— A Secretaria de Comunicação Social (Secom) nos procurou dizendo que muitas pessoas estavam pedindo informações — disse ele.
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A entrevista inédita foi convocada após uma embates internos entre a Secom e a cúpula do PT. Integrantes do partido de Lula defendem que o caso deve ser colado à direita e tem se convencido que esse será um dos temas da eleição. Enquanto isso, a Secom ainda busca um tom para exaltar o que governo fez para estancar a fraude.
Diante disso, a pré-campanha passou a elaborar estratégias de ataque para colar o caso Master aos adversários, reunindo informações e ligações de envolvidos com a direita. No primeiro momento, porém, haverá cautela nos ataques durante o período de montagem de palanques eleitorais, onde o PT deve contar com aliados do centrão em diversos estados.