PL tenta atrair Zema para aliança com Flávio após ida de Caiado ao PSD

Partido sinaliza desejo em compor, mas entorno do governador mineiro sustenta projeto presidencial próprio

Agência O Globo

Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

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A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD acelerou a reorganização no tabuleiro eleitoral da direita: o PL passou a trabalhar para atrair o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para a órbita da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, mencionou o mineiro como possível nome para a vice.

— Zema seria um ótimo vice. O ideal é estarmos todos juntos no primeiro turno para vencermos as eleições. Vamos conversar com todos os partidos. Temos de trabalhar. O Flávio ainda vai ter muito trabalho — afirmou Valdemar ao GLOBO.

A declaração ocorre no momento em que o PSD, sob comando de Gilberto Kassab, se consolida como polo alternativo da direita fora do núcleo da família Bolsonaro. A entrada de Caiado reabriu o jogo entre partidos de centro e centro-direita e estimulou legendas médias a manterem distância de uma definição antecipada de palanques presidenciais.

Oportunidade com segurança!

O PSD hoje abriga mais de um nome colocado para o Planalto — Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite — e preserva liberdade para composições regionais distintas, tornando-se ponto de atração para partidos que não querem se comprometer desde já com o bolsonarismo.

Valdemar sustenta que esse cenário amplia o risco de dispersão do campo conservador. Neste contexto, enfraquece a tentativa de apresentar Flávio como candidato natural do grupo.

Na contramão do dirigente, aliados de Flávio têm defendido que a fragmentação inicial pode ocorrer, mas quanto maior o número de pontes construídas desde já, mais fácil será recompor o campo no segundo turno. O coordenador de campanha, Rogério Marinho, cita como referência a disputa no Chile, onde candidaturas da direita se apresentaram separadamente no primeiro momento, mas convergiram no segundo turno.

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A ofensiva sobre Zema cumpre dois objetivos. De um lado, sinaliza disposição de compor com nomes fora do bolsonarismo raiz, reforçando o esforço de apresentar o senador como versão mais moderada do pai. De outro, funciona como gesto político para um estado estratégico. 

Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo em disputas presidenciais. Ter o governador associado ao projeto ajudaria a reduzir resistências no empresariado e na centro-direita, segmentos que ainda veem a candidatura do senador com cautela.

O movimento também dialoga com o cenário local. Em Minas, o PSD integra a base do governo estadual e abriga o vice-governador Mateus Simões, cotado para a sucessão, o que amplia o interesse de manter pontes com o grupo político de Zema. Simões tem dito que estará com o governador independentemente do projeto nacional de seu partido. Nesse contexto, uma composição poderia dar a Flávio um palanque no estado.

No entorno de Zema, aliados têm repetido que ele não abrirá mão de se colocar como pré-candidato à Presidência. O próprio governador já rechaçou a possibilidade de ser vice em diversas ocasiões.