PL recua e retira reversão da inelegibilidade de Bolsonaro do projeto de anistia

Sóstenes Cavalcante diz que elegibilidade será discutida apenas após Nunes Marques assumir presidência do TSE

Marina Verenicz

Deputado Sóstenes Cavalcante (PL - RJ) (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
Deputado Sóstenes Cavalcante (PL - RJ) (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

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O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), confirmou que o projeto de anistia em tramitação no Congresso não incluirá a reversão da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O recuo foi admitido pelo parlamentar em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (17).

Segundo Sóstenes, a decisão foi autorizada pelo próprio Bolsonaro, que avalia ser mais estratégico adiar o debate sobre sua situação eleitoral. “O presidente Bolsonaro me autorizou a retirar a elegibilidade do projeto. Esse tema será discutido em outro momento”, afirmou.

A expectativa do partido é retomar a discussão em junho, quando o ministro Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O texto que circula entre deputados, de autoria de Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), restringe-se a conceder perdão a envolvidos em “manifestações reivindicatórias de motivação política”, expressão usada para englobar os condenados pelos ataques de 8 de Janeiro. Na noite de quarta-feira, o plenário da Câmara aprovou a tramitação em regime de urgência, acelerando a análise da proposta.

Para Sóstenes, ainda não há consenso sobre os termos finais da anistia. “Nós ainda não discutimos o mérito. Vamos discutir com o relator”, disse. A fala sinaliza que, mesmo sem a pauta da elegibilidade, a disputa política em torno do alcance da anistia deve se intensificar nos próximos dias.

Cálculo político do recuo

O movimento do PL de retirar a reversão da inelegibilidade de Jair Bolsonaro do texto da anistia revela uma tentativa de calibrar prioridades políticas diante de um cenário adverso. A avaliação é de que insistir nesse ponto agora aumentaria a resistência ao projeto dentro do Congresso e poderia comprometer até mesmo a tramitação da proposta mais ampla de perdão aos condenados pelo 8 de Janeiro.

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Ao adiar o debate sobre a elegibilidade para o momento em que Kassio Nunes Marques assumir a presidência do TSE, em junho, o partido aposta em um ambiente institucional mais favorável.

A estratégia também busca preservar Bolsonaro de um novo revés imediato. Como a inelegibilidade é um dos pontos mais sensíveis para a oposição, incluir esse tema agora poderia mobilizar ainda mais resistência dentro do Congresso e na opinião pública.

Na prática, o PL opta por separar a sobrevivência política de Bolsonaro em duas frentes: no Congresso, a tentativa de aprovar uma anistia para apoiadores e reduzir pressões sobre sua base; e, no TSE, o esforço futuro para rever a inelegibilidade, preservando a possibilidade de candidatura em 2026.