Piñera vence eleições no Chile e marca retorno da direita após 20 anos

Presidente eleito volta a afirmar que venderá a LAN Chile; Concertación perde primeira eleição desde 1990

SÃO PAULO – Sebastián Piñera foi eleito o novo presidente do Chile, após a realização de segundo turno das eleições no último domingo (17), marcando a primeira derrota da frente de centro-esquerda desde 1990. 

Desde o período de redemocratização do país, com a saída do general Augusto Pinochet do poder (1973-1990), que a frente denominada “Concertación” – da atual presidente Michelle Bachelet – domina o cenário eleitoral do país.

Eleito pela “Coalición para el cambio” (Coalizão para a mudança), Piñera recebeu 51,6% dos votos, enquanto seu adversário – o ex-presidente Eduardo Frei – obteve 48,4%, quando 99,2% das urnas já haviam sido apuradas.

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Tão logo foi reconhecido como vencedor, Piñera buscou um discurso de consolidação e voltou a afastar-se da ditadura. “O governo militar terminou há vinte anos e já é história. Vamos olhar para o futuro. Além disso, os que me apóiam não integraram o governo militar”, afirmou. 

Novo Berlusconi?
Um dos homens mais ricos do Chile, com fortuna estimada em US$ 1,0 bilhão pela revista Forbes, Piñera possui participação na rede de TV Chilevisión e na companhia aérea LAN Chile, além de ser um influente dirigente e acionista do tradicional clube de futebol Colo Colo. 

Tais fatos levam a constantes comparações com o conservador e polêmico primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi, também dono de grupo de mídia e do clube de futebol Milan. Piñera, entretanto, rechaça a proximidade e afirma que deixará boa parte da vida empresarial.

“Eu já disse um milhão de vezes. Venderei meus negócios na LAN. Vamos transferir a Chilevisión para uma fundação sem fins lucrativos e, se a lei permitir, quero continuar sendo acionista e diretor do Colo Colo”, declarou Piñera.