Publicidade
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o “principal articulador, maior beneficiário e autor dos atos mais graves” da tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. A declaração está nas alegações finais da ação penal que apura a suposta tentativa de golpe de Estado, apresentadas nesta segunda-feira (14) ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Gonet, Bolsonaro “figura como líder da organização criminosa”, com papel central na orquestração e promoção de atos antidemocráticos que culminaram na tentativa de golpe.
“Sua liderança sobre o movimento golpista, o controle exercido sobre os manifestantes e a instrumentalização das instituições estatais, para fins pessoais e ilegais, são elementos que provam, sem sombra de dúvida, a responsabilidade penal do réu nos atos de subversão da ordem democrática”, escreveu o procurador-geral.

Veja as provas apresentadas por Gonet para pedir a condenação de Bolsonaro
O chefe do Ministério Público usou 137 das 517 páginas das alegações finais para destrinchar cronologicamente as provas que justificariam a condenação de Bolsonaro

Bolsonaro pode pegar até 43 anos por cinco crimes, diz PGR ao STF
Procuradoria aponta participação central do ex-presidente em tentativa de golpe; julgamento pode ocorrer em setembro
Plano iniciou em 2021
Na manifestação, a PGR afirma que a instabilidade social registrada após a eleição de Lula foi consequência de um “plano meticuloso” iniciado em 2021, cujo objetivo seria fomentar uma intervenção militar sob pretexto de fraude eleitoral.
“A organização criminosa se dedicou à incitação de intervenção militar no país, disseminando ataques aos poderes constitucionais e espalhando a falsa narrativa de que o sistema eletrônico de votação havia sido manipulado para prejudicar o réu Jair Bolsonaro”, aponta o texto.
A peça assinada por Gonet representa o último passo da acusação antes do julgamento. Agora, o STF abre prazo para as defesas dos oito réus se manifestarem, incluindo Mauro Cid, Anderson Torres, Braga Netto, Ramagem e Augusto Heleno.
Continua depois da publicidade
Bolsonaro nega acusações
Durante interrogatório prestado ao STF em junho, Bolsonaro negou ter liderado qualquer trama golpista. Sua defesa deve apresentar alegações escritas nos próximos dias.
Após o envio das manifestações das defesas, a ação estará pronta para julgamento na Primeira Turma do STF, ainda sem data definida.
O tribunal avaliará se os acusados devem ser condenados ou absolvidos pelas acusações de tentativa de golpe, abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio público.