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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (29) que a corporação foi informada antecipadamente sobre a operação conduzida pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, mas decidiu não participar após analisar o planejamento e concluir que a ação não se enquadrava nos protocolos operacionais da PF.
A declaração contrasta com a fala do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que mais cedo disse à imprensa que o governo federal não havia sido comunicado sobre a operação, considerada a mais letal da história do país, com 121 mortos, incluindo quatro policiais.

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“Houve um contato ao nível operacional informando que haveria uma grande operação e se a Polícia Federal teria alguma possibilidade de atuação. Nossa equipe no Rio analisou o planejamento e entendeu que não era o tipo de operação compatível com a forma como a PF atua”, disse Andrei.
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Segundo ele, a corporação não recebeu detalhes sobre o dia nem sobre o escopo completo da operação, que envolvia mais de 100 mandados de prisão expedidos pela Justiça fluminense.
“Não tínhamos atribuição legal para participar e, portanto, não fazia sentido integrar a ação”, afirmou.
Divergência de versões
Durante a entrevista, Lewandowski interrompeu o diretor-geral da PF para reforçar que a comunicação sobre operações dessa magnitude deve ocorrer entre autoridades de alto escalão.
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“Uma operação desse porte não pode ser acordada entre o segundo ou o terceiro escalão. Se envolvesse o governo federal, o presidente da República, o vice-presidente em exercício, o ministro da Justiça ou o diretor-geral da PF deveriam ser formalmente avisados”, declarou o ministro.
A operação, considerada a mais letal da história do estado, mobilizou 2.500 policiais civis e militares e teve como alvo líderes do Comando Vermelho que atuavam nos complexos da Penha e do Alemão.