Política

PF encontra menções “bovino religioso” e “nazista” em conversas em celular de empreiteiro

Diálogos foram encontrados no celular do presidente da UTC, Ricardo Pessoa, que foi peça-chave para condução da prisão do ex-senador do PTB Gim Argello, nesta semana, no âmbito da Lava Jato

SÃO PAULO – Dando continuidade às investigações, a força-tarefa da Operação Lava Jato já identificou ao menos 11 diálogos de Ricardo Pessoa, presidente da empreiteira UTC Engenharia, que envolvem conversas cifradas e apelidos e que já estão na mira dos investigadores. Nesta terça-feira, o juiz federal Sérgio Moro determinou a prisão do ex-senador do PTB Gim Argello com base nos depoimentos de Pessoa, além de outras provas, como a quebra de sigilo telefônico da OAS. 

Além do apelido do ex-senador “alcoólico”, utilizado por Pessoa, as conversas no celular trazem, entre as menções, “bovino religioso”, “nazista”, “descobridor”, “JVN”, que a força-tarefa da Lava Jato ainda tenta descobrir o verdadeiro significado, segundo reportagem de O Estado de S. Paulo. 

Entre as conversas que mais chamam atenção, estão os diálogos de Ricardo Pessoa com Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS condenado na Lava Jato. Eles citam diálogos com outros empreiteiros, advogados para lidar com a Lava Jato e fazem referências a siglas como “JC” e “amigo” em diálogos e encontros cujos contextos ainda não estão claros. As conversas aconteceram até 12 de novembro de 2014, dois dias da 7ª sétima fase da Lava Jato, que enquadrou Léo Pinheiro e Ricardo Pessoa, além de outros executivos das cúpulas das principais empreiteiras do País.

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Perto do período eleitoral e quando a Lava Jato começava a avançar sobre as empreiteiras, Léo Pinheiro e Ricardo Pessoa falam nas conversas sobre um encontro com um “amigo”, e sobre “fazer a ação”. O diálogo é do dia 1° de outubro de 2014. Dois dias depois, Léo Pinheiro chega a afirmar que Ricardo Pessoa estaria “afinado” com “os nazistas”, ao que o dono da UTC afirma que não faz parte do “3 reich”. Ainda em outro momento, no dia 18 de outubro de 2014, eles chegam a falar de um “nobre amigo” do Rio, sem deixar claro quem é, mas indicando que precisam falar com ele. 

Procurada pelo jornal, a assessoria da OAS informou que não iria comentar o conteúdo. A reportagem tentou contato com a defesa da UTC, mas a advogada estava em reunião e não pode atender às solicitações até o fechamento deste texto.