Operação Trapaça

PF deflagra nova fase da Operação Carne Fraca; ex-presidente da BRF é preso

São cumpridos 11 mandados de prisão temporária,  27 mandados de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão

SÃO PAULO – A Polícia Federal está nas ruas na manhã desta segunda-feira (5) cumprindo 91 mandados decretados pela Justiça Federal do Paraná em nova fase da Operação Carne Fraca, chamada Trapaça.

São cumpridos 11 mandados de prisão temporária,  27 mandados de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, em Goiás e em São Paulo. O alvo dessa etapa é a BRF (BRFS3) e o ex-presidente da empresa, Pedro de Andrade Faria (2015 a 31 de dezembro de 2017) e o ex-vice Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior foram presos temporariamente, por cinco dias. 

Esta é a lista dos investigados que trabalham ou já atuaram na BRF e são alvos de mandado de prisão:
André Luís Baldissera; Décio Luiz Goldoni; Fabiana Rassweiller de Souza; Fabianne Baldo; Harissa Silvério el Ghoz Frausto; Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior; Luciano Bauer Wienke; Luiz Augusto Fossati;  Natacha Camilotti Mascarello; Pedro De Andrade Faria e Tatiane Cristina Alviero.

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As investigações, segundo a PF, apontaram que cinco laboratórios credenciados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e setores de análises de determinado grupo empresarial fraudavam resultados de exames em amostras de processo industrial. Desta forma, informavam dados fictícios em laudos e planilhas técnicos ao Serviço de Inspeção Federal.

O objetivo era impedir fiscalização com eficácia da qualidade do processo industrial da empresa investigada. “A prática das fraudes contava com a anuência de executivos do grupo empresarial, bem como de seu corpo técnico”, diz o comunicado. Também foram constatadas manobras extrajudiciais por executivos do grupo com o fim de acobertar a prática desses ilícitos ao longo das investigações. A Polícia Federal e representantes do Ministério da Agricultura darão entrevista coletiva na PF em Curitiba às 10h (horário de Brasília). 

O nome dado à fase da operação é uma alusão ao sistema de fraudes operadas pelo grupo empresarial e por laboratórios de análises de alimentos a ele vinculados.

Nota do Ministério da Agricultura

O Ministério da Agricultura informou, por meio de nota, que o alvo principal da Operação Trapaça é a fraude nos resultados de análises laboratoriais relacionados ao grupo de bactérias Salmonella spp.

“A referida operação visa apurar indícios de fraudes relacionadas à emissão de laudos por laboratórios privados e credenciados junto à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) por laboratório privado e acreditado na ABNT NBR ISO/IEC 17025, para sustentar o processo de controle de qualidade e a certificação de produtos para o mercado”.

De acordo o órgão, a fiscalização do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal já havia identificado irregularidades nos “procedimentos para respaldo à certificação sanitária implementada em algumas unidades frigoríficas, o que resultou em exclusão desses estabelecimentos para exportação aos 12 países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella spp”.

A nota informa ainda que, entre outras medidas adotados pela SDA, a partir da ação conjunta com a Polícia Federal, estão a “suspensão do credenciamento dos laboratórios alvo da operação, até finalização dos procedimentos de investigação, que poderão resultar no cancelamento definitivo do credenciamento; suspensão dos estabelecimentos envolvidos para exportar a países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella spp.; e a implementação de medidas complementares de fiscalização, com aumento de frequência de amostragem para as empresas envolvidas, até o final do processo de investigação”.

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(Com Agência Brasil)