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Petrobras x Ibovespa: como estaria a evolução do índice sem PETR3 e PETR4?

Incertezas sobre capitalização pressionam os ativos que representam 15% do Ibovespa, emperrando avanço do índice

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SÃO PAULO – As ações da maior empresa brasileira em valor de mercado não estão tendo um bom ano. Desde janeiro, os papéis da Petrobras (PETR3, PETR4) acumulavam até a sessão da última sexta-feira (16) queda de mais de 10%: mais precisamente, 10,44% para os ativos ordinários e 10,08% no caso dos preferenciais. 

Com esse desempenho tão negativo, o papel da estatal no Ibovespa tem sido criticado – afinal, com pouco mais de 15% de participação, não estaria o desempenho da Petrobras emperrando uma alta mais significativa do principal índice da bolsa brasileira? 

A volatilidade vista nos mercados globais ajuda a explicar a movimentação do Ibovespa – mas só em parte. Até a última sexta-feira (16), o Ibovespa acumulava valorização de 1,47% no ano, frente a ganhos de 5,66% do Dow Jones, 6,91% do S&P 500 e 9,35% do Nasdaq. A variação também fica abaixo da dos principais mercados europeus, como o FTSE 100, de Londres, que até a mesma data acumulava alta de 6,12%. Assim, o quesito “volatilidade” não pode ser completamente responsabilizado pelo avanço modesto do Ibovespa. 

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Incertezas da capitalização pesam
Mais do que a incerteza dos mercados globais – e seus efeitos sobre as commodities – o mau desempenho recente dos papéis da Petrobras se deve em grande parte “pelas incertezas de como será realizada a capitalização e o marco regulatório do pré-sal”, lembra a equipe do Centro de Investimentos de Longo Prazo (Cilp). 

O projeto de capitalização, em tramitação no Senado, é considerado como fundamental pela Petrobras para viabilizar parte dos investimentos do plano de negócios de US$ 200 bilhões a US$ 220 bilhões previstos para o período de 2010 a 2014, sem comprometer o nível de alavancagem líquida, “com rentabilidade e geração de valor para o acionista”.

Recentemente, a empresa se manifestou afirmando que está trabalhando “com a expectativa de que os Projetos de Lei enviados ao Congresso Nacional sejam aprovados”, e que espera que a capitalização com a cessão onerosa ocorra ainda até o final de julho deste ano. “Não estão em avaliação a hipótese de capitalização via emissão única de ações preferenciais ou outras formas de emissão de ações”, explica a Petrobras.

Mas o presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, evitou comentar o recente e conturbado noticiário sobre o projeto, dizendo apenas que os prazos para aprovação estão ficando “muito apertados”. “No momento em que essa proposta se tornar inviável, estudaremos alternativas”. Sobre quais seriam tais alternativas, a resposta do executivo foi enfática: “não vou especular”.

Petro e Vale: um terço do Ibov
Juntas, as ações de Petrobras e Vale (VALE3, VALE5) representam mais de 30% do Ibovespa – o que significa, na prática, que suas variações afetam o índice mais fortemente do que papéis com menos peso.

Os papéis ordinários e preferenciais da petrolífera representam, nessa ordem, 3,151% e 12,556% do índice. Assim, a queda de 10% dos ativos pressiona muito mais o desempenho do Ibovespa do que os recuos de Brasil Telecom (BRTO4) e B2W (BTOW3). As empresas, que com -29,03% e -23,24% lideram as perdas do índice no ano, têm, respectivamente, 0,405% e 0,699% de participação no índice.

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A alta participação de empresas como Petrobras e Vale no principal índice da bolsa é constantemente criticada por analistas, já que o índice fica suscetível às variações das commodities. No caso de uma forte queda nas cotações do petróleo, por exemplo, o índice é penalizado mesmo que o cenário macro seja positivo.

O contrário, é claro, também é válido: uma sessão de forte alta das commodities geralmente carrega o Ibovespa para o campo positivo. “As commodities salvam a bolsa brasileira”, já afirmou um colunista da InfoMoney. Pouco antes da quebra do Lehman Brothers, que desencadeou o pior período da crise, o peso das blue chips também era visto com bons olhos, com as cotações das commodities em alta.

Um mundo sem Petro
O que aconteceria, então, se as ações da Petrobras fossem retiradas do Ibovespa? Em uma simulação excluindo os ativos PETR3 e PETR4 do índice, quem ganharia destaque? E, mais importante, onde estaria o Ibovespa sem a pressão da estatal?

A resposta desta última pergunta, levantada em estudo preparado pela equipe do Centro de Investimentos de Longo Prazo, é 3,7%, considerando os dados até a última sexta-feira. Ou seja, mais de 2% de ganhos extras para o índice. Isso significa que o índice, que fechou a 69.421 pontos na sexta-feira, estaria a 71.989 pontos – acima da importante resistência dos 71.800 pontos, segundo a análise técnica.

Esses 2% não se devem somente à exclusão dos ativos da Petrobras: com a saída da estatal, a Vale, que atualmente representa 14,91% do Ibovespa, passaria a responder por 17,682% do peso do índice após a redistribuição ponderada da participação dos papéis, fazendo com que a valorização de seus ativos no ano – de 19,63%, no caso dos ordinários, e 21,62%, no caso dos preferenciais – impulsionasse ainda mais o índice. Nesse cenário, só a valorização dos papéis da Vale representaria, no Ibovespa, uma alta de 3,75%.

Com a teórica retirada dos papéis da estatal do índice, todos os demais, é claro, ganhariam peso para acomodar a nova situação. Assim, outras empresas que já tem grande representatividade, como Itaú Unibanco (ITUB4) (4,713%), BM&F Bovespa (BVMF3) (4,349%) e Usiminas (USIM3, USIM5) (3,805%), passariam a responder, juntas, por 15,265% do Ibovespa – um ganho de quase 3% de participação.

Mal temporário
Entretanto, é importante lembrar que o mau desempenho dos papéis pode ser apenas temporário. “Pensando em termos de longo prazo, a Petrobras vai ser até 2020 o dobro do que é hoje e a escalada de produção vai ser sempre crescente. Ela tem uma curva de produção futura, com poços já determinados, localizados, que não tem parâmetros em outras companhias de capital aberto. Ela tem reserva para poder crescer. No setor de petróleo você tem que ter reservas para poder crescer”, explica Nelson Rodrigues Matos, analista do Banco do Brasil. “Com o potencial que ela tem a recomendação é de compra. O problema é que no curto prazo ela vai sofrer as incertezas do mercado. Mas a recomendação é de compra”, reitera.

O Citi também avaliou recentemente o momento dos papéis da estatal. Na visão do banco, apesar de os ativos terem bom potencial, as questões políticas devem pressionar os papéis. “Nós somos compradores para as ações da Petrobras, mas entendemos que a expectativa de aumento de capital serve para diluir as ações no curto prazo”, afirmam os analistas.

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Exclusão e inclusão no Ibovespa
Vale lembrar que para integrar o principal índice da bolsa, as ações devem estar incluídas em uma relação de ações cujos índices de negociabilidade somados representem 80% do valor acumulado de todos os índices individuais, apresentar participação, em termos de volume, superior a 0,1% do total e ter sido negociada em mais de 80% do total de pregões em 12 meses.

Para ser retirada, de acordo com a BM&F Bovespa, a ação deve ter deixado de atender a pelo menos dois dos critérios de inclusão. Estar sob regime de recuperação judicial, processo falimentar, situação especial ou sujeita a um prolongado período de suspensão de negociação também impede que a empresa integre o Ibovespa.