Petrobras reajustará a gasolina se petróleo seguir acima de US$ 110, diz Citi

Em meio à discordância de Mantega e Gabrielli, Cide pode ser a saída para que aumento não chegue à bomba

SÃO PAULO – O Citigroup acredita que são altas as chances da Petrobras (PETR3,PETR4) elevar o preço dos combustíveis no segundo semestre, mas apenas se a cotação do petróleo se estabilizar ao redor de US$ 110 por barril.

“Em nossa visão, isso iria aumentar subjetivamente a confiança em um novo patamar do barril Brent e mitigaria qualquer impacto significativo acerca do aumento do preço do diesel na inflação ao longo do tempo”, afirmam Pedro Medeiros e Fernando Valle, que estimam um reajuste entre 10% e 11% para reestabelecer o equilíbrio.

O reajuste é defendido por Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, como forma de compensar a valorização do petróleo. A dupla de analistas reonhecec que o preços da gasolina e do diesel no Brasil encontram-se em desconto de 19% e 14,5%, respectivamente, em relação ao mercado internacional.

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Crescimento exige importação
Apesar da empresa ser parcialmente imune ao cenário externo, uma vez que controla quase que integralmente o processo de extração e distribuição, a valorização da commodity produz de fato um efeito negativo, uma vez que a empresa se vê obrigada a fazer importações para garantir a demanda do País em desenvolvimento e ao mesmo tempo compensar problemas de fornecimento com o etanol.

“Para se ter uma idéia, a companhia apresentou planos de importar 1,5 milhões de barris de gasolina em abril, apenas para constituir estoque”, lembra a dupla do Citi.

Mantega discorda de Gabrielli
Por outro lado, o Ministro Guido Mantega, que também ocupa a presidência do conselho de administração da Petro, rechaça um reajuste nos combustíveis por temer reflexos na inflação.

“Não estou preocupado com alta da gasolina, porque não há alta da gasolina e não está prevista. A gasolina não vai subir”, afirmou o ministro, segundo a Agência Câmara.

Cide como proteção à inflação
Entretanto, Medeiros e Valle lembram que um reajuste nos preços dos combustíveis por parte da Petro não resultaria necessariamente em um aumento no valor pago pelo consumidor na bomba, uma vez que o Governo tem a margem da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) com um instrumento tributário para controlar a volatilidade dos combustíveis para o consumidor.

Ou seja, caso haja a necessidade de reajuste da Petro na refinaria, o Governo poderá compensar através de uma redução da Cide na composição final do preço da gasolina – a exemplo do que tem feito nos últimos cinco anos.

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Ajuste fiscal não seria afetado
Mas a redução da Cide não contraria o ajuste fiscal que o Governo vem encampando? A dupla do Citi acredita que não, e justifica que o imposto representa uma parcela muito pequena da arrecadação federal e tem destinação fixa à manutenção e investimentos em rodovias, além de 60% da receita ser dividida entre estados e municípios.