Petro, Vale e Eletrobras são papéis beneficiados por reação de Serra, diz gestor

Sócio da Humaitá Investimentos aponta possibilidade de gestão mais pró-mercado como razão; JBS pode perder apoio do BNDES

SÃO PAULO –  Após o mercado dar quase como certa a vitória de Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais, alguns papéis passaram a ter desempenho destacado, impulsionados pela surpreendente reação do candidato José Serra (PSDB) nas pesquisas para o segundo turno.

Ao comentar a última pesquisa CNT/Sensus, que mostra empate técnico entre os dois candidatos que disputam a presidência no segundo turno das eleições, a consultoria MCM afirma em relatório que embora Dilma continue na frente, sua vantagem deixou de ser confortável e está caindo desde meados de setembro “de maneira que, no momento, a hipótese de Serra vencer a eleição não pode mais ser descartada.”

Fonte: MCM

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Entretanto, medir os efeitos da política sobre o mercado de ações costuma ser tarefa difícil. Ainda assim, o peso do estado em algumas empresas e setores é tamanho, que fica difícil não apontar a influência, como no caso da Petrobras ou do setor elétrico.

Vencedores & Perdedores
Para Márcio Macedo – sócio-gestor da Humaitá Investimentos -, identifica-se com maior clareza três ações beneficiadas pelo desempenho do candidato oposicionista: Petrobras (PETR3, PETR4), Vale (VALE3, VALE5) e Eletrobras (ELET6).

  • Petrobras e Eletrobras : no caso das duas estatais, a expectativa é que uma eventual vitória de Serra promova gestores mais pró-mercado, mitigando riscos de utilização de política das empresas ou de elevação da participação do Governo.
  • Vale : embora o Governo não controle a empresa, especula-se que haja pressão nos bastidores para alterar o atual acordo de acionistas, removendo a atual direção da empresa. Ademais, teme-se pela revisão da regulação no setor de mineração, com a elevação de impostos e/ou royalties.

“Tem muita gente procurando uma cadeira. E é geralmente gente do PT”, disse nesta sexta-feira (15) Roger Agnelli, presidente da mineradora, reforçando a expectativa do mercado pela redução da pressão sobre a gestão da empresa. Em 1997, o governo do PSDB, chefiado por Fernando Henrique Cardoso, foi responsável pela privatização da empresa.

Ademais, a “Eletrobras claramente é uma mega aposta [do mercado] no curtíssimo prazo, teoricamente barata, mas com gestão ruim”, aponta o gestor da Humaitá. Desde o início da semana, os papéis da empresa acumulam ganhos superiores a 10%. “São duas coisas que claramente se vê, uma gestão menos politizada nas estatais e um BNDES menos patrocinador”, completa.

Macedo também aponta os possíveis desfavorecidos com um eventual governo Serra. “Empresas que cresceram muito devido a uma relação estreita com o Governo”, afirma Macedo, destacando a JBS (JBSS3), por conta do forte apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em sua expansão internacional – política que poderia ser revista com a vitória da oposição.

Desempenho fiscal
Embora o compromisso com o equilíbrio fiscal seja marcante nos dois candidatos, é possível dizer que o mercado avalia – em linhas gerais – a candidatura de José Serra de modo mais positivo.

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“Uma vitória de Serra significaria maior comprometimento com a qualidade do ajuste fiscal e, sobretudo, de corte dos gastos públicos, o que abriria espaço potencial para queda das taxas de juro”, afirma em relatório Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora.

“Aparentemente o Serra será mais fiscalmente responsável, não vai gastar tanto, trabalhando para uma taxa de juros menor”, concorda Márcio Macedo. Ainda assim, a preferência pelo candidato tucano não é unânime no mercado.

Em agosto deste ano, Mohamed El-Erian – CEO (Chief Executive Officer) da Pimco, uma das principais gestoras de ativos do mundo -, demonstrou confiança na participação de Antonio Palocci em um eventual governo de Dilma Rousseff.