Operação Lava Jato

Petistas comemoram e Palocci interrompe negociação de delação após libertação de José Dirceu

Jornais e revistas desta quarta-feira destacam efeitos e reações da libertação de Dirceu decidida pelo STF - contudo, amigos e advogados não acreditam que ele ficará solto por muito tempo

SÃO PAULO – A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem soltar o ex-ministro José Dirceu, preso por determinação do juiz federal Sérgio Moro na Operação Lava Jato, gerando um grande barulho no mundo político e sendo motivo de comemoração no PT, conforme informa o jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo destaca o jornal, integrantes do partido avaliam que a decisão pode se estender para outros petistas que estão em prisão preventiva por ordem de Moro.

Além do tesoureiro João Vaccari, preso desde abril de 2015, o ex-ministro Antonio Palocci continua preso e já deu indícios que pode negociar um acordo de delação premiada. Porém, segundo informa a coluna Expresso, da Época, os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato foram avisados que Palocci suspendeu a negociação de delação premiada pouco depois da decisão do STF de libertar Dirceu. 

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“Palocci alimenta a esperança de também ser solto por um recurso apresentado ao Supremo. Isso não significa que Palocci não vá mais colaborar com a Lava Jato: ele pode fazer isso mesmo solto. Mas a negociação recuou duas ou três casas, segundo os procuradores”, informa a revista. A delação de Palocci é temida por petistas, banqueiros, deputados e outros grandes empresários – além disso, um dos mais prejudicados se Palocci falar é o ex-presidente Lula. 

Apesar da comemoração dentro do PT com a soltura de Dirceu, a notícia foi vista com alegria moderada pelos familiares e amigos do ex-ministro. Eles acreditam que em breve o petista deve voltar à prisão de Curitiba (PR), conforme informa a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. 

“Advogados ligados a Dirceu também fazem a mesma análise. Eles acreditam que a libertação, determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), deve apressar a condenação do ex-ministro no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Depois disso, já sentenciado em segunda instância, ele voltaria à prisão”, destaca a colunista.