Não é só isso

Pessimista, Schwartsman diz: “impeachment é condição necessária, mas não suficiente”

Para economista, sociedade ainda tem dificuldades para encampar as reformas tão necessárias para a retomada

Alexandre Schwartsman
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SÃO PAULO – Vista pela maior parte dos economistas com visão “ortodoxa” como condição para retomada da economia, a mudança política não é a solução para resolver todos os problemas. “O impeachment [da presidente Dilma Rousseff] é condição necessária, mas não suficiente”, segundo o ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman.

Em evento realizado pelo Instituto Millenium chamado “Perspectivas 2016”, em São Paulo, Schwartsman destacou que segue com uma visão pessimista sobre o desenrolar da crise econômica atual, principalmente por ver dificuldades dentro da sociedade para que as reformas necessárias sejam encampadas. Assim, para ele, há dificuldades de que um novo governo concretize as reformas estruturais necessárias para esse momento. 

“A solução dos problemas não está nos economistas”, afirma: “Se você falar com meia dúzia de economistas, você tem a solução para o Brasil”, disse, citando Fabio Giambiagi, Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Armando Castelar Pinheiro. “O que falta é que a sociedade encampe esse processo de reforma. Essa é a razão principal do meu pessimismo: não vejo a sociedade encampando isso”. 

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Para o ex-diretor do BC, “só um presidente eleito com uma plataforma de reforma terá poder legitimário para levar as reformas a cabo no Congresso e tirar o país da situação atual. Porém, as chances disso acontecer parecem improváveis”. 

Ao ser questionado se Marina Silva (Rede -AC), que lidera as pesquisas de opinião, segundo o Datafolha, poderia encampar as mudanças necessárias, ele afirmou ser cético a esse respeito. “A formação política dela é de orientação distinta, não vejo isso acontecendo, embora cercada de pessoas que eu respeito muito”, afirmou, citando o economista Eduardo Gianetti.

Já sobre o documento “Uma ponte para o futuro”, do PMDB, o ex-BC diz “assinar embaixo”, mas sem acreditar na capacidade de colocar em prática. Além disso, “ele disse não acreditar na sinceridade do partido”. 

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