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Pessimismo? Wall Street ama uma “boa crise” no Brasil, afirma Forbes

Apesar do caos e de um medíocre crescimento econômico, muitos estão otimistas, destaca colunista do site da publicação

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SÃO PAULO – O cenário é de reversão das expectativas levemente positivas em meio à crise política brasileira. Porém, apesar do caos e de um medíocre crescimento econômico, muitos estão “celebrando”. É o caso do mercado americano, de acordo com o colunista da Forbes, em matéria chamada “Wall Street adora uma boa crise no Brasil”. 

De acordo com o colunista Kenneth Rapoza, os mercados americanos adoram uma boa crise e o Brasil é “a segunda melhor crise” nas Américas após os EUA, destacando a exposição de muitos investidores estrangeiros no País. 

Rapoza aponta os dados do primeiro trimestre de 2017 da economia brasileira, com alta de 1% em seu primeiro desempenho positivo na base de comparação trimestral após oito trimestres de baixa. “Embora ninguém pense que isso seja sustentável, os investidores apostam em taxas de juros mais baixas e na demanda global para ajudar a levantar o país de seu poço sem fundo”, afirma. 

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O Brasil registrou forte crescimento no primeiro trimestre pela primeira vez em três longos anos, aponta Rapoza. Mas, embora ninguém pense que isso seja sustentável, os investidores apostam em taxas de juros mais baixas e na demanda global para ajudar a levantar o país de seu poço sem fundo, apontando ainda que o PMI industrial subiu para 52 em maio, ante 50,1 em abril. “Qualquer coisa acima de 50 é bom. No Brasil, mais de 51 é um milagre”, diz a Forbes, citando também os dados de produção industrial acima do esperado divulgados pelo IBGE nesta semana e para o superávit comercial. 

Neste sentido, o chefe de pesquisa da consultoria britânica Ashmore, Jan Dehn, destacou esperar uma evolução do cenário de goldilocks (sustentação de crescimento moderado com baixa inflação) para a economia brasileira, com o aumento progressivo das taxas de crescimento e a queda da inflação apontando para se tornar o principal motor do mercado de renda fixa no Brasil. Dehn ressalta que  as notícias econômicas são inequivocamente positivas, embora ainda não sejam “espetaculares”.

Por outro lado, o colunista ressalta que a reforma da Previdência foi empurrada para depois, mas a esperança para que ela ocorra – ainda mais em uma versão robusta – está diminuindo.

Mas para a butique de investimentos de Wall Street Bretton Woods Research, isso não importa tanto. “A reforma da Previdência é importante para os detentores de obrigações de curto prazo devido ao enorme déficit”, afirma. Contudo, em termos de perspectivas de crescimento, o Brasil tem dependência de outros fatores, na avaliação do gestor da BWR Vladimir Signorelli, como o ciclo de commodities, o Federal Reserve e o câmbio. A BWR está otimista com o Brasil e apontando que houve um certo exagero do mercado quanto ao risco político.

Vale destacar que, nesta semana, a Bloomberg apontou que, enquanto a turbulência política alimenta a volatilidade nos mercados, gestores globais (incluindo a Ashmore) veem os títulos públicos como “à prova de escândalo”.

Entre as gestoras de destaque que veem os papéis como uma boa oportunidade de investimento, está a Pimco. De acordo com Gene Frieda, estrategista global da Pimco, um atraso nas metas de Temer no Congresso pode causar mais danos ao PMDB do que à economia ou às finanças do País, uma vez que mudanças nas regras da previdência não teriam impacto notável sobre as contas públicas antes de 2019.

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