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SÃO PAULO – Com a aproximação das eleições, é bastante comum você ligar sua televisão ou abrir o jornal e se deparar com uma pesquisa sobre a intenção de voto dos eleitores para o candidato a prefeito de sua cidade. E com a existência no Brasil de vários institutos que elaboram estas pesquisas – Ibope, Datafolha, Vox Populi etc. – os eleitores são “bombardeados” por novos dados sobre seus candidatos praticamente toda a semana.
Acompanhando o sobe-e-desce dos candidatos nas várias pesquisas que são divulgadas, o eleitor pode se ver pego por várias dúvidas. Por que o candidato X aparece em primeiro lugar em uma pesquisa e na outra está em segundo? Por que em menos de duas semanas o candidato Y passou do terceiro para o sexto lugar?
Representatividade da amostra
Antes de tudo, para entendermos e até mesmo interpretarmos melhor uma pesquisa eleitoral, devemos partir do princípio de que ela nada mais é que um levantamento estatístico com caráter probabilístico. Ou seja, o resultado apresentado por ela deve representar a realidade, considerando uma margem de erro, definida pela própria metodologia da pesquisa. Assim sendo, a pesquisa eleitoral é feita com base em uma amostra, durante um período do tempo.
E o que é uma amostra? Usando a definição estatística, podemos dizer que a amostra nada mais é do que uma parte da população com quem guarda características semelhantes. Uma coisa importante a se esclarecer, e que gera dúvida para muitas pessoas, é que o tamanho da amostra não é o mais importante em uma pesquisa que procura reproduzir uma situação real, como no caso dos levantamentos de intenção de voto.
Muito mais importante que isso é a representatividade da amostra, ou seja, o seu grau de similaridade com a população que está sendo estudada. Dessa maneira, uma pesquisa é considerada de boa qualidade à medida em que consegue inserir todos os grupos sociais e as várias regiões geográficas em proporções bastante próximas àquelas da população em estudo.
Margem de erro e empate técnico
Mas você pode estar se perguntando: por mais representativa que seja uma amostra, os resultados de uma pesquisa podem apresentar algum tipo de erro? Claro que sim, já que leva em conta o comportamento da amostra e não da população como um todo. Dessa maneira, sempre existe o que chamamos de erro amostral, que já é calculado e levado em conta pela equipe técnica dos institutos que elaboram as pesquisas.
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E como o erro amostral é calculado? – você pode estar se questionando. Bom, o erro amostral é calculado levando-se em conta o tamanho da amostra e os resultados obtidos na análise da mesma. Se tivermos duas amostras com o mesmo tamanho, aquela que representar uma população com maior homogeneidade terá o menor erro amostral. E algo muito importante a ser dito é que, tecnicamente, não existe um erro para toda a amostra.
Como uma pesquisa política engloba várias informações e vários candidatos, para cada uma destas informações há um erro amostral correspondente. Dessa maneira, a margem de erro da qual você costuma ouvir falar nas pesquisas nada mais é do que uma estimativa de erro máximo. Suponha, por exemplo, que uma pesquisa, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais, revele que o candidato A tem 30% das intenções de voto e o candidato B tem 25%.
Isto quer dizer que, considerando-se a margem de erro, o candidato A pode ter de 27,5% (30%-2,5pp) a 32,5% (30%+2,5pp) das intenções de voto e o candidato B pode ter de 22,5% (25%-2,5pp) a 27,5% (25%+2,5pp) das intenções de voto. Perceba que no limite da margem de erro, no caso do candidato A para cima e no caso do B para baixo, ambos aparecem empatados, com 27,5% das intenções de voto. Isto é o que chamamos de empate técnico.
O candidato está subindo ou caindo?
Explicado estes pontos mais técnicos, resta agora a pergunta: é possível avaliar a tendência de um candidato a partir de uma pesquisa? Em primeiro lugar, é importante deixar bastante claro que somente é possível avaliar tendências de queda ou subida levando-se em conta uma série de pesquisas. E outra coisa: diferenças mínimas de resultados entre as pesquisas não são suficientes para se estabelecer uma tendência, pois estas diferenças podem fazer parte da margem de erro.
Não entendeu? Então vamos ao exemplo: considere um candidato A que aparece na seqüência de cinco pesquisas com as seguintes intenções de voto: 35%, 34%, 33%, 32%, 33%. Não podemos dizer que este candidato está em tendência de queda, já que as variações em suas intenções de voto nas diferentes pesquisas foram mínimas, oscilando dentro da margem de erro da pesquisa (2,5 pontos percentuais).
Agora, no caso de um outro candidato B, que aparece com as seguintes intenções de voto: 29%, 30%, 32% e 34%, daí sim poderemos dizer que existe uma tendência de alta, já que entre a primeira e a quinta medição a diferença de pontos (5 pontos percentuais) supera a margem de erro da pesquisa (2,5 pontos percentuais). Percebe-se, assim, que para você dizer que um candidato está subindo ou caindo não é só comparar a pesquisa atual com a anterior: é preciso levar em conta uma série de pesquisas.