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Pesquisa eleitoral, prévia de inflação e EUA agitam a próxima semana na Bolsa

Mercado externo deve chamar atenção com conflitos no Iraque pressionando as bolsas mundiais, enquanto o Fomc decide sobre a retirada de estímulos nos EUA

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SÃO PAULO – Após uma sequência de pesquisas eleitorais, com Datafolha, Ibope e Vox Populi, além de um dia sem Bolsa por conta do início da Copa do Mundo, os investidores devem ver a próxima semana ficar bastante agitada. Além de diversos indicadores e eventos importantes, na quinta-feira (19), mais uma vez o mercado brasileira ficará fechado, desta vez por conta do feriado de Corpus Christi.

Para começar a semana, mais uma pesquisa eleitoral deve agitar o mercado. Está marcada para este sábado (14) a divulgação de uma pesquisa feita pelo Sensus, e, segundo a equipe da Coinvalores, deve ser o “principal balizador do Ibovespa no início da próxima semana”, podendo trazer novo ânimo para a Bolsa caso os números continuem a mostrar queda para a presidente Dilma.

Segundo a Coinvalores, a semana será mais fraca em indicadores, o que aumenta o foco dos investidores nas pesquisas eleitorais. De acordo com relatório de mercado da corretora, devemos ter uma semana onde deve imperar o momento das pesquisas sobre os fundamentos das empresas, o que deve levar a forte volatilidade do índice nos próximos dias.

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EUA em foco
No cenário externo, destaque para os EUA, onde ocorre a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), podendo ser anunciada mais uma redução dos estímulos. Atualmente, o Federal Reserve injeta US$ 45 bilhões na economia norte-americana todo mês – praticamente metade do valor inicial do programa de estímulos -, sendo US$ 25 bilhões em títulos do Tesouro e US$ 20 bilhões em hipotecas.

Porém, o que mais deve chamar atenção dos investidores é o comunicado da autoridade monetária, que pode trazer novidades sobre quando o programa de estímulos irá terminar e também sobre possíveis sinalizações em relação a alta de juros, que segundo alguns especialistas pode ocorrer ainda neste ano. Diante disso, importante ficar de olho no mercado cambial, que pode ter forte volatilidade.

Além do Fomc, outros dois fatores devem fazer com que o mundo fique atento ao mercado norte-americano. O primeiro deles é o atual temor em relação ao Iraque, onde ataques rebeldes tem criado a possibilidade dos EUA intervir na região – fato que Barack Obama negou nesta sexta-feira. Com o ambiente tenso no Oriente Médio, empresas ligadas ao petróleo podem sofrer.

Já na quinta-feira, será a vez do investidor brasileiro ficar de olho nos EUA. Com a Bolsa fechada por aqui, é importante ficar de olho no desempenho dos ADRs (American Depositary Receipt) das empresas brasileiras negociados na NYSE. Uma oscilação mais forte desses ativos pode indicar qual será a tendência dos papéis na abertura da Bovespa no dia seguinte.

Prévia de inflação no Brasil
No cenário doméstico, a semana começa com vencimento de opções sobre ações, que tem o costume de trazer volatilidade para o Ibovespa, já que acaba mexendo bastante com ações de maior volume, como Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3; VALE5) e bancos. Já que esses ativos têm grande peso no índice, uma maior oscilação acaba impactando o desempenho do benchmark.

Entre os indicadores, o destaque fica para o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerado como uma prévia da inflação. O indicador é calculado da mesma forma que o IPCA, mas com a coleta dos dados ocorrendo entre os dias 15 de cada mês. Na última semana, o índice de inflação mostrou desaceleração maior que a esperada, atingindo 0,46%.

Para os analistas da Rosenberg, o IPCA-15 deve ficar em 0,39%, apresentando descompressão em comparação ao mês anterior, quando variou 0,58%. Contudo, a taxa em 12 meses deve continuar em ritmo de elevação, chegando a 6,32%.

A manutenção da taxa de juros, a Selic, em 11% na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) gerou debates entre especialistas, que acreditam que a inflação deverá obrigar o Banco Central a realizar novas elevações dos juros ainda neste ano. Com o resultado do IPCA de maio, a inflação acumulada no ano chegou a 3,33%, enquanto que nos últimos doze meses o resultado está em 6,37%, ficando abaixo, mas muito próximo, do teto da meta do BC, de 6,5%.