Perspectivas

Pesquisa eleitoral e dados de inflação agitam a Bolsa na próxima semana

Com Datafolha no sábado e IPCA na quarta-feira, os próximos dias prometem volatilidade no mercado

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SÃO PAULO – E mais uma semana termina no positivo, com uma nova pesquisa eleitoral agitando o mercado. Com uma nova prévia do Ibovespa e a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), a Bolsa teve dias agitados entre 31 de março e 4 de abril. Para os próximos dias, os investidores ficam atentos para os reflexos da alta na Selic e as sinalizações do Banco Central sobre novas altas, além da pesquisa Datafolha, no sábado, que deve trazer grande volatilidade.

Pela terceira semana consecutiva uma pesquisa eleitoral agita as ações, principalmente de empresas estatais, como Petrobras (PETR3; PETR4), Eletrobras (ELET3; ELET6) e Banco do Brasil (BBAS3). Na última quarta-feira (2) uma notícia de que o Planalto já estaria trabalhando com a queda da presidente Dilma Rousseff nesta pesquisa animou os investidores.

O economista e professor de gestão de risco da Trevisan Escola de Negócios, Claudio Gonçalves, destaca dois cenários que estão animando os investidores. O primeiro seria a saída de Dilma do governo, o que poderia trazer grandes mudanças nas políticas e uma menor intervenção nas estatais. O segundo seria de uma mudança ainda antes das eleições, já que a presidente poderia realizar mudanças com a ideia de voltar a subir nas pesquisas. “Nesse cenário poderíamos ver mudanças principalmente no setor elétrico e petróleo, com possível aumento de gasolina”, destaca Gonçalves.

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Inflação e juros
Nesta semana a decisão do Copom em elevar mais 0,25 ponto percentual a Selic, agora para 11% ao ano, não trouxe um grande reflexo no mercado. Porém, o comentário do Banco Central sobre o tema fez os especialistas divergirem sobre os próximos passos da autoridade monetária: teremos ou não mais uma alta dos juros no próximo encontro? O começo dessas respostas podem chegar nesta semana com dois importantes eventos.

Apontado como o principal fator para a decisão de elevar os juros, a inflação do País segue mostrando resistência e dificultando as projeções dos economistas. Na quarta-feira (9) ocorre a divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) – medida oficial de inflação – e, apesar não ser esperada, uma grande mudança no cenário pode acabar mudando as expectativas.

Tudo isso por causa de um dado específico, a dos preços de alimentos, que foi o que realmente preocupou os analistas e fez com que alguns deles acreditassem em uma nova elevação na Selic. Caso o setor mostre uma melhora, essa projeção pode ser alterada.

Gonçalves afirma que o governo já mostrou sua proposta e o mercado já entendeu que ele não será mais condescendente com a inflação. Segundo ele, já está claro que o governo deixou de usar outros mecanismos e passou a utilizar a Selic como sua principal arma para controlar a inflação.

No dia seguinte ao IPCA, será a vez da ata da reunião do Copom ocorrida nesta semana. Mais uma vez o mercado terá os comentários do Banco Central para tentar entender o que a autoridade monetária está projetando para daqui 40 dias, quando ocorre o novo encontro. O documento pode trazer alívio para o mercado, caso fique mais claro o que a autoridade monetária está projetando.

Exterior
Apesar do foco principal da semana ser o Brasil, o cenário internacional guarda alguns indicadores para o mercado e pode até surpreender. O destaque fica com a ata da última reunião do Fomc, principalmente após o relatório de emprego divulgado nesta sexta-feira. Mesmo que os números não tenham sido tão ruins, o fato de terem ficado abaixo da expectativa levou os analistas a acreditarem que a alta de juros no país ainda deve demorar mais para acontecer. Com o documento, a sinalização dos próximos passos pode ficar mais clara.

Além disso, dados na China podem trazer volatilidade durante a semana. Especialistas tem apontado o país como um grande fator de oscilação na bolsa brasileira, mais até que os EUA. Durante esses dias serão divulgados os números de balança comercial, confiança do consumidor e dados de empréstimos no país.