CRISE

Peso argentino afunda e ações despencam com derrota de Macri nas eleições primárias

Risco de vitória da chapa com Cristina Kirchner fez CDS do país vizinho disparar nesta segunda

SÃO PAULO — Os mercados na Argentina reagem negativamente nesta segunda-feira (12) ao resultado das primárias da eleição presidencial de outubro, que apontou o atual presidente Mauricio Macri atrás da chapa formada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner.

A apuração dos votos na Argentina mostrou apoio de 47% dos eleitores à dupla Fernández e Kirchner, enquanto Macri ficou com 32% dos votos. Cristina governou o país entre 2007 e 2015 e adotou um modelo econômico que praticamente afundou a economia argentina para a crise que ainda se encontra. Seu comando foi marcado por estatização de empresas e manipulação de dados oficiais, por isso a volta do kirchnerismo preocupa os investidores. 

“O atual presidente Macri não foi capaz de trazer para a população o sentimento de poderia tirar o país dessa situação — a Argentina convive com inflação anualizada de mais de 50% — e o resultado disso veio nas eleições primárias de ontem. Diferente do que vimos no resto do mundo, onde o ‘shy voter’ (eleitor envergonhado) elegeu governantes mais de direita (Trump nos EUA ou Bolsonaro no Brasil), na Argentina esse eleitor virou peronista”, escreveu o analista Thiago Salomão, da corretora Rico, em relatório. 

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O efeito no mercado foi imediato. O peso argentino chegou a cair mais de 30% hoje, mas amenizou a queda depois que o governo aumentou a taxa de juros para 74% ao ano e usou reservas para conter a depreciação do câmbio. No fim do dia, o peso argentino fechou com variação negativa de 16%, valendo 53 por dólar. Na sexta-feira, a moeda havia fechado em 45,25 por dólar. 

No mercado de títulos públicos, os preços dos papéis argentinos denominados em euro caíram cerca de 9 centavos, segundo a Reuters. Com isso, os yields, cuja variação é inversamente proporcional aos preços, subiram em torno de 3%. 

Já o CDS argentino, um indicador internacional usado como referência para medir o risco de calote dos países, disparou hoje. O CDS de 5 anos da Argentina, que havia fechado aos 1.030 pontos na sexta-feira, fechou em 2.113 pontos. 

Na bolsa argentina, o principal índice local, o Merval, fechou em queda de 38%, para 37.530 pontos. Os papéis da YPF, estatal argentina dedicada à exploração de petróleo, perderam 16,9%. Já as ações do Mercadolibre recuaram 7,65%. 

As ações do setor financeiro lideraram as baixas. O Banco Macro e o Grupo Financiero Galicia caíram 46,5% e 47%, respectivamente. Eles tiveram sua recomendação rebaixada pelo Morgan Stanley para underweight — desempenho abaixo da média do mercado.

Nos Estados Unidos, os ADRs (recibos de ações) de empresas argentinas derretiam. Os papéis do Banco Macro negociados na NYSE caíram 52%, enquanto os papéis da YPF e da Telecom Argentina afundaram 30,8% e 33,8%, nesta ordem, na bolsa americana. O Grupo Financiero Galicia viu seus ADRs cederem 56,1% — na mínima, chegaram a cair 60%. Houve suspensão da negociação de alguns papéis na NYSE dada a forte queda. 

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