Análise

Perito contratado por Temer diz que gravação é “imprestável” e não pode ser aceita

Para Molina, há "inúmeras descontinuidades, mascaramentos por ruído, longos trechos ininteligíveis ou de inteligibilidade duvidosa" na gravação

SÃO PAULO – O perito Ricardo Molina, contratado pelos advogados do presidente Michel Temer para avaliar a gravação de uma conversa com o dono da JBS, Joesley Batista, disse que o áudio é “imprestável” como prova numa investigação e não seria aceito em uma “situação normal”.

Para Molina, há “inúmeras descontinuidades, mascaramentos por ruído, longos trechos ininteligíveis ou de inteligibilidade duvidosa” na gravação. “Ela [gravação] deveria ter sido considerada imprestável desde o primeiro momento. E assim o seria, se aparecesse no bojo de um caso sem as conotações políticas que aqui prevaleceram”, afirmou.

O perito ainda questionou a qualidade do aparelho usado. “É uma gravação tão importante que estranha que tenha sido feita com um gravador tão vagabundo. Joesley poderia ter comprado um gravador mais caro”, ironizou.

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Segundo ele, todo o áudio deve ser descartado. “Quando trata de prova material, não existe prova mais ou menos boa. A prova é boa ou não é boa. Ela deveria ter sido considerada imprestável desde o primeiro momento”.

Entre os questionamentos levantados pelo perito, há ainda um ponto envolvendo a transcrição da Procuradoria Geral da República de um dos trechos, no qual Joesley teria dito ao presidente “todo mês”, numa possível referência ao pagamento de propina ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Para Molina, o empresário disse “tô no meio”. “Não falou a palavra mês, porque procurei a palavra mês de outras vezes em que o Joesley falou. Não tem ‘s’ nenhum [no final], é ‘tô no meio’, é isso que ele fala, não tem ‘todo mês'”, explicou.