Período pós-crise deve desafiar autonomia de bancos centrais

Atuação junto a órgãos governamentais de finanças é arma para combater crise, mas pode aumentar pressões políticas

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SÃO PAULO – A ação coordenada entre as instituições econômicas, tanto internamente quanto entre diferentes países, é um dos fatores mais elogiados desde o início da atual crise. Todavia, pouco a pouco analistas ressaltam preocupações de que isto signifique a perda de autonomia por parte dos bancos centrais.

A duras penas, a relativa autonomia de instituições como o Federal Reserve, BoJ (Banco do Japão) e BoE (Bank of England) foi conquistada após o colapso do sistema de Bretton Woods, que basicamente fixava bandas restritas para a flutuação das moedas internacionais em relação ao dólar, sendo o valor deste atrelado ao ouro.

Perdidas as amarras cambiais, a formulação da política monetária passou a ser focada no controle da inflação, por meio do controle da oferta de moeda e da taxa básica de juro das economias nacionais, cuja definição foi paulatinamente consolidada como exclusiva das autoridades monetárias, baseadas em critérios tão técnicos quanto possível.

Somando esforços

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O enorme desafio gerado pela atual crise econômica tornou necessária a soma dos esforços de autoridades econômicas. Fatores como a elevadíssima aversão a risco, que caracterizou os episódios mais dramáticos da crise de crédito, tornaram menos eficazes as ferramentas tradicionais de política monetária, que partiram em busca de novas maneiras para agir.

Muitas destas novas ferramentas, como a troca de títulos públicos por ativos de baixa liquidez, ampliam a dependência de autoridades monetárias dos órgãos governamentais de finanças, como no cada vez mais simbiótico caso entre Fed e o departamento do Tesouro, agora gerido pelo antigo presidente da repartição de Nova York da instituição, Timothy Geithner.

Atualmente, as ações conjuntas ainda aparentam ser necessárias, dadas as grandes dificuldades econômicas. Mas é comum verificar, em situações normais, certa oposição entre política fiscal e monetária. Atualmente, teme-se que os Bancos Centrais não tenham força para desvincular-se de pressões políticas e adotar impopulares medidas contracionistas.

Difícil separação

Se atualmente combate-se a queda exagerada dos preços, o mundo poderá ver um rápido repique inflacionário quando os consumidores voltarem às lojas, aproveitando as condições excepcionais que levaram o juro básico nos EUA a praticamente zero, ressaltam analistas.

A lentidão para adotar medidas como a elevação das taxas de juro após o último ciclo recessivo, entre 2001 e 2003, pode ter sido o impulso inicial para a formação de bolhas, inflação e a crise atual, na avaliação de alguns estudiosos, o que também levanta questões sobre o quão efetivamente independentes e técnicos são os formuladores de política monetária.